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Estado de Minas

Depressão econômica e recessão

Muitos desafios estão na nossa porta e vão exigir muito do novo governo


postado em 31/12/2019 04:00

Gilson E. Fonseca
Sócio e diretor da Soluções em Engenharia Geotécnica Ltda (Soegeo)  

A desastrosa gestão da presidente Dilma Rousseff colocou o Brasil numa situação que, se não fosse o recurso de recorrer à emissão de títulos públicos, nosso país teria entrado numa situação de paralisia. Por outro lado, como nada é de graça, a dívida pública federal, de estados e municípios disparou, já ultrapassando 80% do PIB (Produto Interno Bruto). Os reflexos e as dificuldades na economia começaram em 2014, com a economia apontando alarmante crescimento de apenas 0,1%. O Tsunami viria em seguida: em 2015, queda de 3,8%; em 2016, outra queda de 3,6%. Em 2017, com ela fora do governo, foi revertida a recessão, mesmo para modesto crescimento de 1%, e 2018 apontou 1,1%. Vale ressaltar que 1% no crescimento do PIB só gera, no máximo, 600 mil empregos formais.
 
Não podemos ficar sonhando com a década de 1970: recorde de expansão econômica de 11% em um só ano, modernização da infraestrutura, sobretudo nas telecomunicações, fartura de emprego, segurança, atendimento bom na saúde, ao ponto de quase ninguém ter plano de saúde. A demanda era tanta que várias empresas de engenharia importaram engenheiros e técnicos da Europa e Estados Unidos. Faltava até mesmo operário braçal. Em 1974, a dívida externa brasileira era de apenas US$ 17 bilhões. Foi uma pena o Brasil não ter sustentado o crescimento, pela falta de democracia e o início da queda moral com o advento da corrupção pelos lobistas das grandes empreiteiras infiltrados no poder. O "colorido" que vivia o país, hoje ainda está cinzento. Saímos da recessão, mas, não da depressão.
 
A diferença de depressão econômica para recessão é que a depressão, além da queda sucessiva na atividade econômica (pelo menos três vezes seguidas), ocorre junto a ela forte desemprego. O Brasil ainda está com taxa geral de desemprego de 11,2% da população ativa. Mas, o mais preocupante, são os jovens com idade entre 18 e 24 anos, porque essa taxa sobe para 30%. Fala-se muito que os jovens são o futuro do país. É uma verdade, mas ações efetivas precisam ser olhadas com lupa, porque, se não, certamente nosso futuro fica comprometido. É demasiadamente triste constatar jovens acadêmicos abrindo mão da sua formação para subsistir, aceitando profissões que não exigem nenhuma formação técnica. O Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) exige que o profissional iniciante tenha remuneração mínima, para horário integral, de 8,5 salários mínimos. Claro que a intenção é proteger o profissional para ter um salário digno, mas em época de recessão torna-se um complicador para várias empresas pela incapacidade econômica de contratação. Mais uma dificuldade para o jovem entrar no mercado.
 
Muitos desafios estão na nossa porta e vão exigir muito do novo governo, que parece bem intencionado e disposto a enfrenta-los. É preciso ser criterioso e justo nas críticas, isto é, deixar o governo federal trabalhar nas reformas necessárias. A aprovação da reforma da Previdência é um grande alento, mas faltam a tributária, administrativa etc. Uma ajuda é parar a boataria, pois todos nós sabemos que a economia é muito sensível às fake news e informações oportunistas. 


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