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Estado de Minas EDITORIAL

Brexit, agora vai

O tom conciliador adotado por Johnson pós-vitória deixa claro que Londres quer, além de curar as feridas internas, manter os laços com os europeus


postado em 22/12/2019 04:00


O Reino Unido bateu o martelo. Vai se divorciar da União Europeia (EU). A ampla maioria obtida pelo Partido Conservador na eleição de 12 de dezembro – 364 dos 650 assentos no Parlamento – deu ao primeiro-ministro Boris Johnson maioria desconhecida desde Margareth Thatcher, em 1987. Com a vitória, chega ao fim o impasse que dominou os debates políticos no Velho Continente há quatro anos. O Brexit se concretizará.

Marcada para 31 de outubro último, a separação dos britânicos do bloco europeu fracassou por falta de acordo em relação à fronteira da Irlanda do Norte (parte do Reino Unido) com a República da Irlanda (membro da EU). Sem consenso, acertou-se 31 de janeiro de 2020 para a saída. Depois do pleito, o partido vencedor indicaria o premiê com suficiente força política para negociar a maioria necessária.

Especialistas dizem que a vitória dos conservadores se deve, sobretudo, à incerteza. Os britânicos estavam cansados dos anos de indefinições, do vaivém, da impossibilidade de prever o futuro, seja luminoso, seja sombrio. “Vamos fazer o Brexit acontecer”, bradava Boris Johnson na campanha vitoriosa. As palavras soaram como música aos ouvidos de quem ansiava por um rumo – seja ele qual for. O Partido Trabalhista se mostrou incapaz de fazer a leitura correta da realidade. Amargou a maior derrota desde 1935.

Com a folgada maioria, Boris Johnson poderá concluir o Brexit à sua imagem e semelhança, sem coalizões limitadoras. Na sexta-feira, por 358 a 234, o Parlamento aprovou o acordo para a saída do Reino Unido e proibiu a prorrogação do prazo – janeiro de 2020. A decisão não surpreendeu, mas foi comemorada pelo premiê.

Político hábil e carismático, o primeiro-ministro terá de fazer frente a desafios externos e internos. Como reposicionar o Reino Unido depois do divórcio? Acordos comerciais são uma resposta. Donald Trump já demonstrou interesse dos Estados Unidos de firmar acordo comercial favorável aos dois países. A dúvida é se serão assinados a tempo de evitar a insatisfação popular.

Não só. Grupos industriais e financeiros reveem os planos estratégicos para escapar das barreiras protecionistas decorrentes do projeto isolacionista. Muitos já deixaram Londres e se instalaram em Frankfurt, Paris e outras praças. No âmbito doméstico, Johnson terá de conter a onda nacionalista irlandesa e escocesa que emergiu das urnas. O movimento pela independência da Escócia deve ganhar força.

O futuro é incerto. Mas a ilha se curvou à vocação de se isolar do continente. Nem tudo, porém, são interrogações. O tom conciliador adotado por Johnson pós-vitória deixa claro que Londres quer, além de curar as feridas internas, manter os laços com os europeus. O tempo dirá se as palavras virarão ação.




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