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Estado de Minas

Son, Carioca, e mais. Que equipe!


postado em 02/12/2019 04:00

Foi no final de 1973. Eu, editor-geral do Diário da Tarde, dos Diários Associados. Vicente Mascarenhas Sanchez, repórter e colunista, fazia parte, se me permitem, da brilhante equipe que consegui formar na redação. Uma equipe responsável pelo sucesso do DT, campeão absoluto de venda avulsa (na morte de JK, vendemos mais de 100 mil exemplares). O Estado de Minas liderava a tiragem com a maior carteira de assinantes da imprensa mineira. Uma tarde, na velha e agradável sede da Rua Goiás, Vicente comentou comigo que um funcionário do Sindicato dos Bancários desenhava e fazia caricaturas e charges muito boas. Era o Gerson Salvador Pinto, um rapaz na casa dos 20 anos. Sanches sugeriu trazê-lo para mostrar o seu trabalho.

Ele veio, trouxe caricaturas e charges feitas na noite anterior. Traços fortes, sua marca, demonstrando talento. Fiz o convite para um período de experiência. Foi assim que tudo começou. Seu descobridor, mérito para ele, foi o Vicente, que nos deixou em agosto. A equipe do DT acolheu o Son Salvador, nome que adotou. Simpático, tornou-se amigo de todos. Cumprido o teste, foi efetivado no DT, a meu pedido,  em 1º/abril/1974.  E só deixou a redação do nosso jornal em 2007, quando de seu fechamento para, foi a alegação, alavancar o Aqui, tabloide policial e esportivo. Mas Son não deixou a empresa, foi transferido para o EM, onde era colaborador há algum tempo.

Suas charges e ilustrações tornaram-no famoso. Incorporou-se e abrilhantou a jovem equipe, unida e feliz, que fazia o DT. O carro-chefe das edições das segundas-feiras era a página Bitoque, criada por Augusto de Paula Rocha, o Carioca, com o ilustrador Radik. Descobri o Carioca também por informação de um jornalista. Eu planejava criar uma coluna que fosse descontraída, alegre, humorística, no Caderno de Esportes. Acionei sua irmã, que trabalhava na Câmara Municipal, naquele tempo ali na Bahia com Augusto de Lima, para transmitir meu convite. Augusto Rocha veio, sempre contando piadas, e aceitou. A ele se incorporou o ilustrador Radik, que se tornou também famoso. Quando Radik adoeceu e morreu, para tristeza geral, foi substituído exatamente por Son Salvador. Que na semana passada partiu também.

Bitoque, de uma coluna passou para contracapa do caderno esportivo. Além das charges do Son e do Bitoque, três colunistas conquistaram os leitores, pois brigavam por seus clubes: Francisco (Chico) Antunes, o XA, atleticano, João Alberto Ferrari de Lima, o JA, cruzeirense, e Paulo Papini, americano. Brigavam tanto, e tinham tantos leitores, que quando chegavam ao estádio eram aplaudidos pelos torcedores de seus clubes, e xingados pelos adversários. Mais tarde, convidei três jornalistas do grupo feminino da redação para repetir o sucesso dos três marmanjos. O trio durou pouco, com o fim do DT. Um fim que todos, os leitores principalmente, lamentam.

Son Salvador, Carioca, XA, JA, Papini, Radick, Toledo, José Otávio, Washington Mello, Miguel Santiago, Decat, o mancheteiro Márcio Rezende, Márcio Renato, Murta (Jornal do Funcionário, sugestão de meu pai), o já citado Vicente Sanchez (criou a coluna Doações & Trocas), Felippe Drummond, Fialho Pacheco, Sinfrônio, Emerson, Zuba, Morais Terra, Morgan Motta (artes), Tarcísio Henriques (política, telefonava bem cedo para o Palácio: "Tudo bem, governador?"), Hélio Costa (DT, Voz da América, deputado federal, candidato a governador), Eloy Brandão e Victor Almeida (Opinião), Neide (Caderno 2), Ariosto (Política), Alexandre (Internacional), Barroso (Esportes), Fábio Márcio (Veículos), Jorge (Economia), Silveira, Melane (cobriu a Copa do México), Maria Janette (design), Matilde Biadi (teatro, cobertura do homem na Lua), Anna Marina, Raquel Zirack, Alessandra Allegri (eleita glamour girl), Maria Emília Ricciardi Coelho, Rosana Seixas Martins, Magna Lenard, Carlos Buzelin (música), Paulo Cesar, José Maria, Chico Marinho, Moura  (ilustrador mais antigo, charges, traços refinados), Henfil (um gênio, tentou somar salário do DT com o do EM, recusado, foi para o RJ e morreu famoso), Quinho, outro gênio, a saudosa Sara Lídia Verçosa Bezerra, José Simão e Sebastião Nery (críticos mordazes da política). E mais e mais, além de editores, secretários de redação, fotógrafos, revisores, diagramadores. A memória omitiu muitos pioneiros, todos irmãos-amigos de uma família que só deixou saudades de bons tempos que não voltam mais.


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