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Estado de Minas

Exame gratuito para mutações genéticas


postado em 19/11/2019 04:00

Agnaldo Lopes
Presidente eleito da Febrasgo e professor titular da UFMG

As mineiras com alto risco para desenvolvimento de câncer de mama e de ovário terão direito a exame gratuito para identificar possíveis mutações genéticas que potencializam a chance para estímulo dessas doenças. O governo estadual sancionou a Lei 23.449 para assegurar que o exame seja feito em unidades públicas ou conveniadas integrantes do Sistema Único de Saúde (SUS), no fim de outubro.

A medida garante o acesso à ressonância magnética para rastreamento de nódulos e às cirurgias de mastectomia profilática e de plástica reconstrutiva à mulher que apresentar os genes relacionados ao câncer de mama. Os critérios para definição sobre quem pode fazer o exame genético pelo SUS será regulamentado em nova proposição, em 90 dias.

Cerca de 10% das mulheres com câncer de mama estão propensas a desenvolverem o câncer de ovário. A relação existe quando há alterações genéticas, principalmente nos genes BRCA1 e BRCA2. O assunto virou notícia mundial, quando a protagonista do filme Malévola, a atriz Angelina Jolie, portadora dessa mutação, optou por retirar as mamas e ovários preventivamente.

O câncer de ovário ainda é um grande desafio para a ginecologia oncológica. A doença é silenciosa e de difícil detecção, sendo a 3ª neoplasia ginecológica mais comum, atrás apenas do câncer de colo de útero e endométrio. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) aponta que são registrados cerca de seis mil novos casos anuais, sendo que 75% deles ocorrem em estágios avançados da doença.

Já, o câncer de mama é a neoplasia mais comum entre elas. A doença é detectável pela mamografia. O Inca registrou 59.700 novos casos em 2018, sendo que 60% deles foram diagnosticados em estágio avançado. Entretanto, os avanços científicos já permitem considerar o câncer uma doença crônica e perfeitamente tratável, eliminando o estigma de "sentença de morte", principalmente, nos casos de mama e de ovário.

As evidências científicas comprovam que, quando existem mutações nos genes BRCA 1 e 2, cerca de 85% das mulheres podem desenvolver o câncer de mama e 50% podem ter câncer de ovário. Existem indicações específicas para se investigar a possibilidade do câncer hereditário, especialmente as mutações nos genes BRCA. A detecção de pessoas com essas alterações propicia o aconselhamento genético e a adoção de medidas médicas preventivas. Os testes identificam candidatas a cirurgias redutoras de risco, incluindo a retirada programada de tubas uterinas e de ovários, a mastectomia redutora de risco, assim como a indicação de tratamentos quimioterápicos individualizados.

O exame gratuito de mutação genética foi um grande passo de uma longa caminhada que as políticas públicas de saúde feminina precisam percorrer. É essencial saber e reconhecer a existência dessa possibilidade de mutação para, juntamente com o médico, tomar decisões mais assertivas sobre a saúde de cada um. A identificação desse tipo de câncer hereditário é fundamental ao mudar o manejo da doença, permitindo que pessoas em risco se beneficiem de medidas preventivas para garantir maior expectativa de vida.
 


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