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Estado de Minas EDITORIAL

O mau exemplo

A realidade é que quem deveria dar o exemplo ignora, completamente, a gravidade do momento atual


postado em 01/10/2019 04:00


 


Agentes e órgãos públicos dos três poderes e do Ministério Público continuam indiferentes à crise econômica que assola o país, com a consequente paralisação de investimentos na infraestrutura, congelamento de bolsas de pesquisas científicas nas universidades federais e parcelamento dos salários do funcionalismo em vários estados. De costas para o país, ignoram que as contas públicas estão no fundo do poço e criam ou sugerem novas despesas para os cofres do combalido Estado brasileiro.
 
São muitos os casos que deixam a população perplexa, como os planos de construção de uma nova sede do Tribunal de Justiça de São Paulo, ao custo de R$ 1,2 bilhão, ou do Superior Tribunal Militar – a existência da Justiça Militar é contestada por diversos setores da sociedade –, que gastou R$ 100 mil com diárias e passagens para três ministros em viagem à Grécia, em julho, período de férias forenses. A ideia para se retomar o plano de um novo prédio para o Judiciário paulista causou mal-estar entre os próprios magistrados. O local para abrigar os gabinetes dos 360 desembargadores, se erguido, terá duas torres de 24 andares e seis subsolos.
 
A farra não para por aí. Recentemente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) autorizou o pagamento de auxílio-saúde para juízes, servidores (ativos e inativos) e seus familiares em todas as cortes do país. O mais grave é o efeito cascata que a decisão acarreta, já que o benefício de 10% do salário dos magistrados e servidores está sendo solicitado pelos tribunais estaduais. Somente no Tribunal de Justiça de São Paulo, o custo adicional será de R$ 180 milhões.
 
O gasto descabido do dinheiro público não fica restrito ao Poder Judiciário, cujos conhecidos penduricalhos engordam os contracheques no fim do mês. No âmbito do Legislativo, existem órgãos que fingem desconhecer a crise vivida por todos os brasileiros. Só o Congresso Nacional custa R$ 30 milhões por dia, de acordo com levantamento da Associação Contas Abertas – a ONG elabora estudos sobre o acompanhamento de gastos públicos em diferentes setores da economia. Apenas de assessores diretos, cada parlamentar tem direito de contratar 25. E, em todas as regiões do Brasil, vereadores pedem aumentos absurdos de seus vencimentos.
 
No Poder Executivo, também são comuns benefícios que extrapolam os salários de agentes públicos. Em Minas Gerais, causou polêmica a atitude do governador, Romeu Zema, que, contrariando promessa de campanha eleitoral, tem pago jetons a secretários de Estado como complementação salarial. Eles são indicados para conselhos de empresas estaduais e os vencimentos dos titulares das secretarias chegam a ultrapassar os R$ 30 mil.
A realidade é que quem deveria dar o exemplo ignora, completamente, a gravidade do momento atual e mostra total falta de solidariedade com a situação de corte de gastos públicos que afetam a maior parte da sociedade, que continua recebendo educação de baixa qualidade, saúde caótica e segurança limitada. 


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