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Estado de Minas

Conflitos:mudando o foco


postado em 20/09/2019 04:00

Thomas Lanz
Fundador da Thomas Lanz Consultores Associados, empresa especializada em governança corporativa


Torcidas organizadas retratam de forma bem-elucidativa o conflito em empresas e suas diferentes etapas. Vamos imaginar que um torcedor de futebol, um expert no assunto, encontra um conhecido também entendido no esporte, só  que de outra equipe. Ambos, provavelmente, irão discutir de forma civilizada e racional as táticas utilizadas pelos respectivos técnicos dos times na preparação das equipes, o desempenho dos principais atletas e assim por diante. 

Dia seguinte, tem jogo. Lá vai o nosso protagonista  empolgado e uniformizado, junto à sua torcida organizada, em direção ao estádio. Palavras de ordem animam o grupo, a bebida corre solta e uma onda repleta de emoção invade cada um dos torcedores. Nosso homem, tão comportado e racional no dia anterior quando conversava com seu amigo, torna-se uma pessoa impulsionada pela emoção. Se ele fosse conversar com alguém do outro time agora, lhe faltaria a lógica necessária e, provavelmente, o tom e a agressividade iriam, com certeza, aumentar rapidamente muitas vezes, indo até as vias de fato, ou seja, a agressão física toma conta do cenário. Isso a gente vê todos os dias.

O mesmo ciclo, com suas devidas proporções, permeia muitas famílias empresárias. Interessante é acompanhar as discussões que antecedem as tomadas de decisão. Temos  famílias que, de forma racional, chegam a uma saída ou decisão comum, mesmo necessitando de um certo tempo para isso. Já em outras famílias, os debates são regados a tensão desde o início das conversações. Sempre há os que são, automaticamente, do contra, sem apresentar reais justificativas para suas posições. Fatos anteriores ou até situações acontecidas há muito tempo são evocados como embasamento para as mais diversas discussões. Às vezes, do nada, o conflito verbal está armado e vez ou outra a briga física entristece o ambiente familiar e o desenrolar das coisas.

Especialistas são muitas vezes chamados para tentar resolver, intermediar ou tentar explicar o porquê destas desgastantes crises familiares. Por mais que trabalhem, na maioria dos casos não conseguem ajudar como gostariam. A origem da fagulha emocional, em certos indivíduos, pode estar alojada no fundo do subconsciente, não permitindo que  se possa resolver a situação e fazer com que a família trabalhe como equipe unida, harmônica e coesa. Sempre um ou dois membros irão soltar emoções, não permitindo que a busca pelos resultados seja feita de forma tranquila.

Por mais que se queira, é praticamente impossível resolver conflitos nesses casos. Talvez, a única saída seja a de saber administrá-los através da construção de um objetivo comum. A ideia, aqui, não é tentar resolver o passado com suas contendas e situações e, sim, construir algo que desperte o interesse de todos. Eventualmente, um novo projeto, bem coordenado e administrado, pode vir a entusiasmar todos a buscar de forma harmônica e pacífica os seus objetivos comuns. Para isso, é melhor esquecer a resolução de conflitos passados e olhar para frente.


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