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Estado de Minas

A necessidade de se desapegar do tradicional


postado em 29/08/2019 04:00


Anderson Hass
Gerente sênior de Desenvolvimento Organizacional da Kroton

As frequentes mudanças no mercado exigem das empresas métodos cada vez mais versáteis e dinâmicos. Estamos vivendo uma transformação digital, que mobiliza todos os setores: o mundo está se modificando de forma cada vez mais volátil e as profissões estão se moldando conforme as novas necessidades do mercado e em uma velocidade extremamente alta. Tal cenário exige muito trabalho em equipe, além de diversidade de pensamentos e perfis de profissionais mais flexíveis e autônomos, que sejam capazes de agregar valor e enfrentar desafios, como novos concorrentes, novos negócios, avanços das tecnologias e a urgência em inovar para crescer.

A cultura ágil nasceu para moldar esse novo cenário, a forma como trabalhamos e investimos tempo em projetos, produtos e serviços. Apesar de os métodos ágeis ainda estarem muito ligados com a cultura de startups e existir uma complexidade maior de as grandes empresas se adaptarem e alinhar seus processos, há uma vasta gama de oportunidades para abandonar a antiga "metodologia cascata" e abraçar o novo. Isso já não é mais tendência, mas uma necessidade. Alguns setores já se apresentam mais engajados em relação aos benefícios desses conceitos, como é o caso de grandes instituições financeiras e de grandes magazines.

No começo, quando as metodologias chegaram ao Brasil, existia certa resistência à sua adoção, mas quando os bancos começaram a constatar a velocidade com que as fintechs – um dos setores que mais inseriram a cultura ágil – entregavam seus produtos e serviços, e ainda entendiam e resolviam as "dores" dos clientes, houve um boom de interesse sobre como se encaixar. Por isso, acredito que o maior desafio para que os métodos ágeis despontem em grandes empresas, assim como aconteceu com o segmento financeiro, ainda é cultural. A parte mais difícil dessa mudança é conseguir envolver todas as áreas responsáveis. Organizar times em equipes multidisciplinares, ter os escritórios decorados pelos conhecidos post-its coloridos ou definir entregas mais curtas de projetos são iniciativas que não bastam para alterar a forma de trabalhar.

Na Kroton, por exemplo, decidimos entender com profundidade o significado e os impactos de um processo de transformação digital. Chegamos à conclusão de que, para continuar proporcionando entregas que apoiem o sucesso dos alunos, o crescimento e a manutenção da nossa eficiência operacional, precisaríamos ser mais ágeis e inovadores na utilização de tecnologias para conseguir englobar todas as áreas da companhia nessa mudança. Uma das premissas da cultura ágil é mobilizar as empresas e substituir o modelo de planejamento tradicional, que normalmente define projetos longos e a entrega do produto completo por planejamentos mais curtos e que priorizem a entrega do MVP (minimum viable product), possibilitando a conclusão de produtos e novidades muito mais rápidas e com mais valor agregado. Esse novo modelo também estimula a colaboração das pessoas nos rituais frequentemente realizados pelos times e permite que o produto seja adaptado rapidamente à necessidades dos clientes e do mercado.

Assim como é na Kroton, existem muitas outras empresas, de diferentes setores, que já iniciaram os processos de transformação digital e estão aprendendo com essa realidade. A verdade é a seguinte: é preciso saber se adaptar ao novo cenário; fomentar interações, em vez de gastar horas em burocracias; testar os produtos e tolerar os erros; ouvir o cliente e o negócio durante o desenvolvimento de um projeto; criar novas formas de organizar times e estruturar projetos, além de entender que é imprescindível se desapegar do tradicional para aderir ao novo estilo de trabalho. Pode levar tempo e ser difícil no início, porém, os resultados da mudança são cada dia mais evidentes.


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