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Estado de Minas

Aprender não precisa doer


postado em 27/08/2019 04:00 / atualizado em 26/08/2019 19:04

Cynthia  Dell'Isola 
Especialista em técnicas de memorização e aprendizagem acelerada 

 
Aprender alguma coisa com excelência requer um passeio pela prática, atenção e motivação, tríade que forma os pilares para o desenvolvimento eficaz de qualquer aprendizagem e que, literal e "criativamente", ousei chamar de PAM. Pelo "P" de prática, entende-se a experiência do indivíduo, o passar pelo processo de tentativa e erro. E isso significa dizer que errar é inerente à aprendizagem. Mas revela, também, um enorme problema cultural: em um mundo onde nem feio podemos ser – haja vista os aplicativos para retirar as imperfeições –, o que dizer sobre errar? E se errar é fundamental ao processo de aprendizagem, como lidar  com o erro?  Uma saída que dói menos é aceitar que "errar é humano", como nos diz o ditado, e que nenhum de nós se torna E.T. por isso.

A neurociência tem avançado bastante sobre as melhores estratégias de aprendizagem e como nosso cérebro se remodela e processa as informações durante a absorção de conhecimento. Infelizmente, de forma paralela, o sistema educacional segue desatualizado, sem assimilar estas preciosas descobertas. As melhores estratégias de estudo, que são as que desafiam o cérebro a pensar, em vez de meramente expor informações para ele, passam longe de muitos processos de aprendizagem. Mas sem essa fórmula de estudo, o resultado, claro, não vem. E aí, quem devia aprender começa  a desenvolver frustração e culpa e, pior, a pensar que o problema está nele. Os reflexos dessa falha inicial serão o modo como vamos perpetuando a forma de aprender vida afora.

Outro elemento fundamental na aprendizagem é o "A" da atenção, ou seja, se dedicar a uma atividade de cada vez. Isso mesmo. Embora exista uma enorme pressão social pelo "tudo ao mesmo tempo, agora", a neurociência é categórica em informar que o ser humano não é multitarefa. Nosso cérebro somente consegue realizar uma única ação complexa de cada vez. No máximo, uma em nível consciente acumulada com outra inconsciente. A cada tarefa adicionada há uma redução da qualidade do que está sendo feito em nível consciente. E a aprendizagem se dá em nível consciente. Portanto, fazer uma coisa por vez irá, sim, aumentar a produtividade.

Em tempos digitais, em que há excesso de estímulos, uma boa saída é definir uma agenda e focar em um tema específico e dar sequência nele até o fim. Quanto mais se concentrar e se desligar dos elementos potenciais de dispersão, melhor o resultado. "Ou você presta atenção, ou seu cérebro não guarda nenhum registro daquilo e, portanto, não aprende nenhuma informação nova", nos alerta a fantástica neurocientista Suzana Herculano. Experimente resolver ao mesmo tempo duas equações matemáticas, depois me conte o que aconteceu.

Por fim, temos o "M" da motivação, que nos auxilia enquanto encorajamento e retorno positivo, demonstrando que a atividade foi feita de maneira adequada, nos estimulando a dedicar e praticar ainda mais.  Ao seguir o círculo virtuoso nesta sequência do PAM, teremos o impulso conduzindo à prática e, quanto mais prática com tentativas, erros e acertos, melhores os resultados e assim, novamente, mais motivação. Isso, traduzido para o popular, é sucesso na certa.


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