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Estado de Minas

Educação para a vida


postado em 23/08/2019 04:00





Dianne Melo
Coordenadora de Linguagens no Itaú Social

Todos os dias, desde o momento em que acordamos, recebemos estímulos que vão se multiplicando a partir das nossas práticas sociais na escola, no trabalho, nas atividades que realizamos. A resposta a essas demandas está em grande parte relacionada ao domínio das formas de representação escrita e numérica, das habilidades que desenvolvemos, do nosso repertório, da nossa capacidade de fazer escolhas e de interagir com o mundo.

Por outro lado, sabemos que são marcantes as dificuldades de acesso à leitura e à escrita de qualidade, em especial para as populações mais vulneráveis. A escola, como espaço privilegiado para o ingresso de crianças, adolescentes e jovens nesse universo, precisa conduzir uma formação que lhes permita compreender a realidade que os envolve e nela agir.

O Sistema de Avaliação da Educação Básica – Saeb 2017, conforme dados de estudo elaborado em março pelo Todos pela Educação, aponta que 60,7% dos estudantes brasileiros matriculados no 5º ano do ensino fundamental apresentam aprendizado adequado em língua portuguesa, e 48,9% em matemática. É nessa etapa da escolaridade que se observam os maiores progressos, com melhoria contínua e significativa desde 2007. Essa curva, porém, perde força nos anos finais do ensino fundamental e fica estagnada no ensino médio. Ao final do 9º ano, os percentuais são de 39,5% e 21,5%, respectivamente. Às portas de entrar na faculdade e na vida profissional, apenas 29,1% dos estudantes que concluíram o ensino médio têm aprendizagem adequada em língua portuguesa e 9,1% em matemática.

Como consequência, respostas a estímulos cotidianos, como escrever um e-mail ou identificar desconto de um produto no supermercado, tornam-se constrangedores desafios. Em 2018,  o Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf) apontou que três a cada 10 brasileiros entre 15 e 64 anos enfrentam essa situação. São os chamados analfabetos funcionais.

Apesar de o número de analfabetos funcionais ter caído de 39% para 29% desde 2001, quando foi realizada a primeira edição do estudo, o percentual de brasileiros que alcançam o nível de compreensão plena e capacidade analítica e crítica está estacionado em 12%, concentrado em pessoas da classe média alta, escolaridade elevada e famílias com gerações anteriores já escolarizadas. Além da acentuada desigualdade de aprendizagem por condição socioeconômica, os dados demonstram, ainda, que o avanço no acesso/matrícula não garantiu a permanência e o sucesso escolar.

O cenário geral não deixa dúvida sobre a necessidade de se investir em metodologias que valorizem os letramentos (tanto escrito quanto numérico) como ferramentas que potencializam o exercício da cidadania e contribuem para a diminuição das desigualdades socioeconômicas e de aprendizagem. Cabe, então, à escola garantir o acesso democrático à leitura e à escrita, além de promover situações concretas para a resolução de problemas, de modo a inserir, de forma plena e ativa, todos os estudantes numa cultura letrada.

Mas como estabelecer percursos capazes de cumprir esse objetivo? A formação de educadores tem papel estratégico no aprimoramento das práticas pedagógicas, incidindo sobre os conteúdos colocados à disposição de crianças e adolescentes, e também sobre o engajamento dos profissionais com a melhoria da qualidade da educação. Esforço nesse sentido, o Programa Letras e Números, iniciativa do Itaú Social, elegeu a formação como eixo catalisador, capaz de favorecer tanto a aprendizagem das habilidades de leitura, escrita e matemática, como de contribuir para estimular a formulação de políticas públicas que possibilitem melhores resultados de aprendizagem.

À medida que acessam novos conhecimentos e se conectam com os avanços das áreas em que atuam, os profissionais de educação ganham autonomia e segurança para ensinar, repensar suas práticas pedagógicas, compreender melhor as novas gerações (em constantes mudanças) e engajá-las nos próprios processos de aprendizagem, contribuindo, assim, para a efetivação do direito ao pleno desenvolvimento das habilidades de leitura, escrita e matemática, no contexto de uma educação pública de qualidade para todos.


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