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Estado de Minas

O caminho do emprego

Conhecer as próprias emoções é a chave para melhorar o ambiente de trabalho


postado em 18/08/2019 04:00

Alexey Carvalho
Doutor em educação, pesquisador de pós-doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Os dados oficiais apontam que o Brasil tem cerca de 13 milhões de desempregados, isso sem contar os trabalhadores subutilizados, que exercem funções abaixo da qualificação e que hoje chega a 24 milhões de pessoas, segundo informações divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Número recorde da série histórica que começou a ser contabilizada pelo instituto em 2012. O cenário pode induzir à desmotivação, por isso cuidar da empregabilidade é fundamental.

Ser um profissional empregável não surge com a conclusão de um curso ou a partir da experiência em determinada empresa. Esse atributo é construído ao longo da trajetória profissional e, para isso, deve ser conscientemente planejado, contribuindo, assim, para que o profissional possa mitigar os impactos e efeitos dos momentos de incerteza do mercado.

Entre os fatores que envolvem a empregabilidade, o desenvolvimento de habilidades e competências, as chamadas skills, é o ponto de partida para quem quer ter seu valor profissional reconhecido. No âmbito das habilidades e competências técnicas ou específicas, a educação formal é o caminho mais indicado, por meio de cursos de aprimoramento, extensão, cursos livres, assim como de graduação e pós-graduação. Há áreas, como a de tecnologia, por exemplo, que além das formações valorizam as certificações. Importante ter consciência de que o investimento pessoal em educação deve ocorrer ao longo da vida para que o profissional esteja atualizado e acompanhe o mercado, estando apto a atender às demandas crescentes de novas empresas, ou qualificado para ser promovido em seu emprego.

Dados de pesquisa realizada em 2018 por uma consultoria internacional revelam que nove em cada 10 profissionais são contratados pelo perfil técnico e demitidos pelo comportamental. Isso significa que, além das habilidades técnicas, é fundamental desenvolver habilidades socioemocionais. Conhecer as próprias emoções e saber como aplicá-las para estimular a convivência com o outro é a chave para melhorar o ambiente de trabalho.

Além do desenvolvimento das competências profissionais, o planejamento de carreira é outro fator importante para manter a empregabilidade. O especialista deve ter clareza de onde está e aonde pretende chegar, revendo, constantemente, esses pontos, de acordo com as mudanças do mercado. É importante considerar, nesse planejamento, a questão financeira, anseios pessoais ou profissionais, aspectos familiares e de mobilidade, por exemplo.

A criação e a manutenção de uma rede de relacionamentos também contribuem para manter a empregabilidade. Aqui vale o alerta de que uma boa rede é fortalecida pelas interações constantes e pela colaboração mútua. Compartilhe conteúdo relevante, divulgue oportunidades de trabalho e de formação, conecte pessoas de círculos diferentes. Tudo isso sedimenta as relações.

Comece, hoje mesmo, a cuidar de sua empregabilidade. Pesquise aquele curso que gostaria de fazer ou aquela habilidade que deseja desenvolver, retome sua rede de contatos, pois os profissionais com melhor qualificação e com reconhecido valor para o mercado têm as melhores oportunidades.


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