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Estado de Minas

Agrotóxicos ou defensivos agrícolas?

Será que a desnecessária polêmica atual em torno dos defensivos agrícolas não visa dificultar ainda mais o acesso das classes carentes ao alimento?


postado em 17/08/2019 04:00




João Dewet Moreira de Carvalho
Engenheiro-agrônomo


A grande celeuma que tem tomado conta do Brasil, nos últimos dias, sobre o aumento da aprovação pelos órgãos responsáveis dos defensivos agrícolas, chamados pejorativamente de agrotóxicos por alguns indivíduos ou órgãos ardilosos e outros tantos militantes bastante ingênuos. Na verdade, tais atitudes não passam de uma mistura de ignorância, no sentido de desconhecimento, e de equivocada defesa ecológica, às vezes, até certo ponto, compreensível, mas totalmente injustificada.

O que desconhece a maioria da humanidade, consumidora de produtos agrícolas, é a verdade na qual o ato da produção alimentar não é algo idílico ou passatempo de românticos sonhadores, mas uma verdadeira guerra. Sim, uma guerra contra milhares de inimigos que se encontram como obstáculos à vitória produtiva. Ou seja, entre a implantação da lavoura até o seu sucesso final. Pois a infinidade de parasitas que infestam e destroem as plantações, se não forem devidamente combatidos, é enorme. Eles simplesmente inviabilizam a produção de alimentos, levando, com isso, à escassez de produtos na mesa dos consumidores, por quebra de safra, e, dessa forma, elevando o preço da comida. E, nos casos mais graves, levando a fome a grande parte da população, pela completa destruição das lavouras.

Não é desconhecido por ninguém que se rebelar contra tudo e todos é umas das característica primordiais dos jovens. E plenamente assimilada pela sociedade como uma fase que, com o tempo, será superada. No entanto, quando tais aspectos juvenis se encontram em adultos, inteligentes e maduros, aí se revela algum grave distúrbio mental ou de comportamento, completamente reprovável. E é precisamente o que tem ocorrido com essa indústria de contestações do modelo moderno de produção de alimentos. Pois, ainda que haja em tudo isso um pequeno grau de razão, por alguns excessos cometidos no uso indevido de defensivos agrícolas, o que ocorre, de fato, no dia a dia, é a normalidade, devido a rigorosas legislações específicas implementadas pelos órgãos controladores. Levando, com isso, a maior parte das práticas adotadas a serem totalmente compatíveis aos princípios do bem-estar humano. Pois há um constante progresso no controle delas, em que, a cada dia, as fiscalizações têm sido, constantemente, aprimoradas. Além de pesadas multas para os infratores. Afinal, a única dor que realmente machuca os seres humanos que insistem na irracionalidade é quando se ousa tocar no seu bolso.

Além de tudo, é do conhecimento geral que toda ciência se move baseada no lema da maior eficiência produtiva na luta por avanços que tragam melhor qualidade de vida. Tudo para benefício dos povos. E as de ciências agrárias não são exceção. Existem, por trás de cada alimento produzido no mundo, milhares de horas de trabalho intelectual desempenhado por inúmeros indivíduos extremamente qualificados, tanto em universidades e centros de pesquisa, bem como em empresas particulares. Tudo, nessa área, é fruto de muita transpiração e dedicação. Visando sempre ao melhor conforto futuro das pessoas. No entanto, assim como a automedicação é uma das maiores preocupações da medicina, nem por isso inviabiliza todos os grandes avanços alcançados por esse setor em benefício da humanidade, possibilitando-lhe maiores tempos de vida.

Análoga é a avaliação do uso dos defensivos agrícolas. Afinal, o mundo não deve nunca se esquecer da velha e alarmante teoria defendida por Malthus, por volta do início do século 19: "A população aumenta geometricamente, enquanto os meios de subsistência aumentam, na melhor das hipóteses, apenas aritmeticamente". Ele profetizava que muitos morreriam por não ter o que comer devido à falta de produtos nos mercados. Pode-se argumentar que todo esse dilema já foi superado. Realmente, em parte, o problema foi resolvido. Mas, se assim o foi, é totalmente devido aos modernos modos de produção agrícola. E o Brasil é das testemunhas principais desse sucesso. Para isso, basta lembrar o uso da ciência brasileira possibilitando a imensa produção agrícola no imenso cerrado do Centro-Oeste. Bem como o uso no país de outras áreas de solo pobre ou então impróprio para a produção simplesmente por desfrutar das modernas técnicas de produção, nas quais o calcário e os adubos têm sido fatores essenciais, associados ao uso consciente e equilibrado dos defensivos agrícolas. E com tudo isso fazendo do Brasil um dos maiores supridores alimentares em todo o mundo.

No Brasil, as classes mais desfavorecidas quase sempre são ultrapassadas nos seus direitos pelos tubarões nacionais, independentemente de suas origens. Afinal, os tidos por pobres que nas últimas décadas galgaram o poder nada mais fizeram do que abocanhar ferozmente o que era do povo brasileiro. Será que a desnecessária polêmica atual em torno dos defensivos agrícolas não visa dificultar ainda mais o acesso das classes carentes ao alimento? Aguardam a resposta as favelas, os sertões e as outras áreas sofridas do país.




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