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Estado de Minas

Universidade indispensável


postado em 14/05/2019 05:07

Professores e estudantes das universidades federais prometem cruzar os braços amanhã. Por ora, será um dia de paralisação e manifestações em espaços públicos. Trata-se de protesto contra o contingenciamento de 30% das verbas orçamentárias decretado pelo Ministério da Educação. O bloqueio chega a R$ 2,2 bilhões. Não é pouco. Mas torna-se mais profundo se considerarmos o estado de penúria a que estão submetidas as instituições de ensino superior, muitas das quais sem recursos para atividades básicas como limpeza, pagamento de energia elétrica e segurança do câmpus.

Há cinco anos as federais vêm sofrendo cortes e contingenciamentos sem reposição. Segundo a Universidade Federal do Rio de Janeiro, em valores corrigidos, a diferença entre seu orçamento de 2014 e o de 2019 ultrapassa R$ 200 milhões. As demais seguem a mesma toada. Na maior federal de Minas, a UFMG, a retenção de verba compromete até a proteção básica contra o contágio em laboratórios do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), um dos principais celeiros de pesquisa do país. É preocupante. São as universidades públicas que oferecem a melhor qualidade de ensino e, por isso, atendem as exigências do mercado na busca de profissionais aptos a responder às urgências de uma sociedade que se renova em velocidade jamais vista.

O presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior, Antonio Gonçalves, disse que o movimento visa ao recuo do governo na política de corte e à busca de apoio da sociedade na defesa da educação pública. Por seu lado, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou estar aberto ao diálogo e “à disposição para debater soluções que garantam o bom andamento dos projetos e pesquisas em curso”. É bom que haja espaço para o entendimento. Melhor ainda que avanços sejam observados.

A ninguém de bom senso pode ocorrer que governos contingenciem verbas da educação por mero prazer ou sentimentos mesquinhos. Fazem-no por imposição da realidade orçamentária. O Brasil amarga déficit fiscal de mais de R$ 100 bilhões, taxa de desemprego de 13%, ociosidade na indústria, perspectiva de crescimento do PIB de 1%. Desde 2014, os ventos da prosperidade deixaram de soprar no país. Este ano transcorre em compasso de espera. Os olhos dos empresários estão postos na reforma da Previdência, indispensável para a volta da confiança e a atração de investimentos. Agilidade é o que se espera do Congresso para que o Executivo arrume as contas públicas e o Estado recupere a capacidade de investir.

No cenário de prosperidade que se esboça, o Brasil precisa contar com quadros qualificados. Os estudantes que vão hoje às ruas têm de estar prontos a fim de contribuir com inteligência e formação técnica para o desenvolvimento nacional. Líderes do movimento devem dar crédito à nota de boa vontade do MEC e sentar à mesa de negociações. Impõe-se que os dois lados estejam cientes da função que desempenham e cheguem a um denominador comum – levados pela certeza de que a pesquisa, o ensino e a extensão são essenciais para o estímulo do parque tecnológico e das relações sociais do país. Entre nós, são as universidades públicas que protagonizam esse papel.


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