Conteúdo para Assinantes

Continue lendo ilimitado o conteúdo para assinantes do Estado de Minas Digital no seu computador e smartphone.

price

Estado de Minas Digital

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas digital por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Estado de Minas

Colaboração na educação

A consolidação de um sistema nacional de educação, estabelecendo fóruns federativos que possam servir de espaços de diálogo e acordos entre os os sistemas, é urgente e fundamental


postado em 02/05/2019 05:11

Nunca o termo regime de colaboração esteve tão presente no debate da educação pública brasileira. Mas você sabe o que ele realmente significa e por que ele tem ganho tamanha relevância?


Imaginemos uma criança no início da sua trajetória escolar, para a qual daremos um nome fictício de João. Imaginemos, também, que o João estudará sempre em escolas públicas, a exemplo de 80% das crianças e jovens brasileiros.


Ele iniciará na educação infantil, frequentando a creche e a pré-escola. Depois, seguirá para a educação fundamental 1 (do 1º ao 5º ano), e para a e-ducação fundamental 2 (do 6º ao 9º ano). Alcançará o ensino médio e, possivelmente, chegará ao ensino superior.


À medida que os anos passam, invariavelmente, João precisará mudar de escolas e de professores. Muito provavelmente, desde a creche até o quinto ano ele estudará em uma escola gerida pelo município. Do sexto ano em diante poderá estudar em uma escola municipal ou estadual. Já quando chegar ao ensino médio, provavelmente estudará em um colégio gerido pelo estado.


Mas, por que o João terá que mudar de escolas, ora geridas pelo município e ora pelo estado? Porque o Brasil adotou o regime federalista como modelo de organização política. E, nesse regime, as responsabilidades dos entes federados (União, estados, Distrito Federal e municípios) são comparti-lhadas. Na educação, não é diferente Nunca o termo regime de colaboração esteve tão presente no debate da educação pública brasileira. Mas você sabe, existe uma repartição de competências para a oferta das matriculas, por conseguinte, para a gestão de todo o sistema de ensino.


Nessa divisão, a educação infantil e a primeira etapa do ensino fundamental são basicamente competência dos municípios. A segunda etapa da educação fundamental e o ensino médio são, prioritariamente, responsabilidade dos estados. No entanto, ainda existem municípios e estados que ofertam matrículas fora da sua competência prioritária.


Mas você deve estar se perguntando, de fato, quais dificuldades essas mudanças podem acarretar na vida acadêmica do nosso aluno João?


Pois bem, não deveria haver dificuldades, mas elas existem e são muitas. Especialmente, devido às diferenças entre a estrutura e a gestão dos sistemas educacionais, tanto entre municípios, quanto entre municípios e estado. Os modelos podem ser bastante distintos: desde a estrutura financeira e técnica das secretarias de Educação, passando pela infraestrutura das unidades educacionais, concepção pedagógica, formação dos professores, valorização do trabalho docente, gestão das faltas dos profissionais, modelos de avaliação, entre tantos outros.


Não podemos esquecer que o nosso país tem 26 estados, além do Distrito Federal, e 5.570 municípios, cada um gerindo sua própria rede de ensino. Desses municípios, 70% são de pequeno e médio portes, com inúmeras dificuldades financeiras e técnicas. Temos de compreender essas dificuldades e buscar estratégias de cooperação entre municípios que estão próximos entre si, via arranjos de desenvolvimento da educação, consórcios ou, então, com o apoio do governo do estado e da União, buscar soluções conjuntas para a formação dos docentes, melhores práticas de gestão do recurso público, aperfeiçoamento do currículo, das avaliações, do suporte pedagógico, gestão escolar, entre tantos outros. Essas são algumas das maneiras de efetivar o regime de colaboração, conforme previsto na Constituição, reforçando a interdependência existente entre os entes federados, sem ferir a autonomia de cada um.


Ocorre que os programas e as políticas atuais ainda não são suficientes para enfrentarmos, como nação, as grandes desigualdades educacionais que levam, sem dúvida, à desigualdade social. A consoli-dação de um sistema nacional de educação, estabe-lecendo fóruns federativos que possam servir de espaços de diálogo e acordos entre os os sistemas, é urgente e fundamental.


No cenário educacional brasileiro, de cada 100 crianças que ingressam na escola, 86 concluem o 5º ano, 76 concluem o 9º ano e apenas 59 concluem o ensino médio. E, desse total, apenas 27,5% com aprendizagem adequada em língua portuguesa e 7,3% em matemática. Além desse triste cenário, os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) demonstram que nossos alunos estão desaprendendo ao longo da trajetória acadêmica.


Os gestores e educadores brasileiros estão despertando para discutir e priorizar políticas que, de fato, garantam a efetividade do regime de colaboração, por meio de ferramentas que possibilitem ao João, ao lado dos quase 49 milhões de alunos matriculados na rede pública de ensino, ter direito a uma trajetória acadêmica que oportunize uma edu-cação de maior qualidade e equidade.


Publicidade