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Estado de Minas

Guerra contra o mosquito

Epidemia de dengue em Minas já causou a morte de 14 pessoas este ano


postado em 22/04/2019 05:07

Não dá para baixar a guarda. Depois da epidemia de 2016 que alarmou o país no combate à dengue, o que parecia estar sob controle volta com força total. Os casos da doença provocada pelo Aedes aegypti seguem em disparada no Brasil: passaram de 79,9 mil nas primeiras 13 semanas de 2018 para 322.199 no mesmo período deste ano (até 30 de março, segundo dados consolidados divulgados pelo Ministério da Saúde). Subiram 303%. O número de mortes em decorrência da virose também aumentou – 86, contra 51 no início do ano passado. A situação ainda não é tratada nacionalmente como epidemia, mas exige cuidados de autoridades, profissionais da saúde e população.

Se os dados gerais já preocupam, os regionalizados são assustadores. Em Minas Gerais, cerca de um quarto dos 853 municípios vivem quadro de epidemia, com mais de 300 casos prováveis de dengue para cada grupo de 100 mil habitantes. Segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde na última semana, há 121.699 registros – entre confirmados e suspeitos – desde o começo de janeiro. É mais do que o dobro da soma das notificações nos dois últimos anos em Minas. Aqui, a doença já matou 14 pessoas.

Em São Paulo, a letalidade é ainda maior. Até 16 de março, foram 31 mortes, metade do total de óbitos no país até aquela data. As ocorrências de dengue aumentaram 2.124%, totalizando 83.045 casos em 11 semanas de 2019. Já no Distrito Federal, oito pessoas morreram em decorrência da virose até o fim do mês passado. O total de casos prováveis chegou a 6.650, quase 900% a mais que em igual período de 2018.  O Exército Brasileiro foi convocado a atuar numa operação de guerra contra a doença, com soldados em regiões administrativas da capital federal nos trabalhos de conscientização dos moradores e combate aos focos do mosquito.

Dados do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) apontam que no início do século 20 o Aedes aegypti, originário do Egito, já era um problema no Brasil. Mas não devido à dengue. Na época, a maior preocupação era a transmissão da febre amarela – aliás, outro fantasma que vem nos assombrando. Em 1955, medidas de controle a essa enfermidade conseguiram erradicar a espécie do país. No entanto, no fim da década de 1960, “o relaxamento das medidas adotadas levou à reintrodução do vetor em território nacional. Hoje, o mosquito é encontrado em todos os estados brasileiros”, descreve o IOC.

Conhecemos bem essa história. Em momentos de surto, o pânico se espalha, campanhas ganham os holofotes, políticos clamam por verbas, o fumacê toma as ruas de pontos considerados mais críticos. Passada a histeria, as ações diminuem, e uma falsa paz volta a imperar. Até que tudo se repete, como que de forma surpreendente, a despeito dos sinais e alertas de que uma nova epidemia de dengue pudesse novamente bater à nossa porta.

Ainda mais triste é estar diante de uma doença cuja prevenção passa por uma questão de educação. De cuidados com si mesmo e com a comunidade. Aquela velha orientação de não descartar lixo de forma inadequada. De não deixar água se acumulando em recipientes que o Aedes aegypti adora e faz a festa, se multiplicando em velocidade absurda.

Em mais de um século de estudos, os hábitos do mosquito são amplamente conhecidos e divulgados. E os malefícios que ele pode causar também. Cabe às autoridades manterem as atividades de conscientização, prevenção e controle. É fundamental que utilizem muito bem os recursos vindos das chamadas “ações de Vigilância em Saúde”, do governo federal, que somaram R$ 1,73 bilhão em 2018, e são destinados a doenças transmissíveis, como a dengue. E, ao brasileiro, que faça a sua parte e fique de olho no vizinho. Como nada é tão ruim que não possa piorar, vale observar que abril é historicamente o mês mais crítico da virose. Aguardemos os próximos boletins.


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