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Estado de Minas

Bons negócios, governador!


postado em 05/04/2019 05:07

 

 



Acabo de ler no jornal Estado de Minas que o senhor vai ficar fora do país por 10 dias, em viagem para os Estados Unidos da América. Tem, ali, encontros marcados com os eventos Brazil Conference at Harvard & MIT, Brazil at Silicon Valley Conference e XP Brazil Conference: Firsts 100 days.

Se me permite a liberdade, quero lhe fazer um pedido especial, que vale também como uma recomendação. Em todos os importantes eventos programados, procure olhar para além dos temas que estão previstos. Faça um esforço para detectar o que está acontecendo à sua volta, nos bastidores, no seu dia a dia do roteiro. A começar pelos locais e a organização dos eventos, a qualidade dos espaços, o número de pessoas envolvidas, de participantes locais e internacionais, a divulgação e a mídia presente etc.. Os visitantes, convidados e inscritos, certamente, devem estar hospedados em hotéis, usando lanchonetes e restaurantes para as suas refeições, locomovendo-se em táxis, apps ou carros alugados, visitando shoppings ou lojas para compras de suvenires, presentes para suas famílias, praças de alimentação, um ice-cream ou hot -dog, uma caminhada por parques, praças e jardins, a museus e construções de valor histórico extremamente bem cuidados e preservados.

O senhor irá usar os serviços de aeroportos, verdadeiras cidades, com multidões utilizando seus espaços, além dos funcionários e prestadores de serviços, que estão ali para que esses enormes complexos funcionem adequadamente para o seu conforto. A bordo dos aviões que o transportam, avalie toda a estrutura que foi desenvolvida, em terra e no ar, para que os passageiros estejam confortavelmente acomodados em suas poltronas, com um simpático sorriso de uma atendente de bordo.

Esses detalhes, de imensurável quantidade, valem como amostra prática do alcance, da enorme complexidade e do que representa esta atividade econômica, o “negócio turismo”, essa importante cadeia produtiva, tão pujante no exterior e tão mal explorada e compreendida em nosso país. Apesar da extraordinária diversidade de que dispomos – que vão de florestas a praias, de montanhas a grandes cidades –, nosso país tem fracassado em atrair visitantes estrangeiros. Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), o setor é considerado o terceiro maior negócio do mundo, responsável por 10% do PIB mundial, envolve um em cada 10 trabalhadores no mundo inteiro e está entre as principais atividades econômicas de nosso século.

Minas Gerais avançou, nos últimos anos, no planejamento e gerenciamento da atividade turística. Muitas foram as conquistas e realizações que conferem hoje ao turismo de Minas uma nova condição de atividade empresarial competitiva e multiplicadora, envolvendo inúmeros outros segmentos econômicos e apresentando expressivos e significativos resultados. Ser um polo turístico é hoje uma aspiração de dezenas de municípios e regiões, que veem a atividade como caminhos para o seu desenvolvimento. Precisamos demonstrar a nossa capacidade de sediar eventos nacionais e internacionais, como aqueles de que o senhor irá participar. Nesta contingência, a tarefa de promover o turismo em Minas Gerais exige ações mais ampliadas, sofisticadas e de maior alcance, com recursos humanos, técnicos e financeiros qualificados. Tudo isso sob a coordenação da nossa Secretaria de Estado de Turismo.

Em expansão no mundo inteiro, fortalecido pelas demandas contemporâneas dos visitantes e pela conectividade de um mundo globalizado, o turismo é atividade integrada por extensa rede de instituições públicas e privadas, com elevado valor socioeconômico decorrente de sua capacidade de estimular o consumo de bens e serviços.  É, por isso, importante gerador diferenciado de trabalho, emprego e receitas. Em Minas Gerais, por sua diversidade de destinos e atrativos, é capaz de ampliar a geração de resultados a curto e médio prazo, com baixo investimento, a partir da infraestrutura de serviços e de acesso e mobilidade de que já dispõe, propiciando a desejável característica de criar benefícios em extensa distribuição territorial.

Com justa preocupação, portanto, entendemos que restrições ou redução das atividades da Setur, a partir do compartilhamento de recursos e da atuação compartilhada com outros setores da gestão pública, constituirá evidente retrocesso. A enorme capacidade do turismo de agregar valor, que lhe confere estratégica prioridade nos esforços pelo desenvolvimento econômico, torna essa atividade econômica um alvo prioritário das aspirações de cidades e regiões que sediam atrativos culturais e naturais. É previsível, neste contexto, a apreensão e o temor de que essa atividade possa ser tolhida em termos de ações de planejamento, promoção, apoio e estímulo a iniciativas em razão de eventual perda de autonomia e de exclusividade administrativa, tema que vem sendo objeto de debates legislativos. Diante disso, caro governador, solicitamos que – enquanto se faz ainda tempo hábil para tanto – a Secretaria de Estado de Turismo se mantenha em seu atual desenho, funções e responsabilidades.

Na expectativa de sua atenção ao nosso pleito e às nossas aspirações, reiteramos os nossos votos de uma exitosa e boa viagem.


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