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Estado de Minas

Horizonte turbulento

A perspectiva de que as mudanças nos regimes de pensões e aposentadorias fossem aprovadas ainda neste primeiro semestre do ano saiu de cena


postado em 28/03/2019 05:10

 

 







O país assiste, atônito, ao desarranjo do governo. Empresários e investidores se perguntam qual será o rumo do Brasil mantidas as desavenças entre o Executivo e o Congresso. O Legislativo só não impôs uma nova derrota ao Palácio do Planalto ontem porque, na última hora, imperou o bom senso de um pequeno grupo de políticos, que conseguiu adiar a votação, no Senado, da proposta de emenda à Constituição (PEC) que institui o Orçamento Impositivo. Esse quadro assustador é reflexo da falta de um diálogo civilizado entre os poderes.

Divergências políticas fazem parte do jogo democrático. Na maioria das vezes, são saudáveis para o debate. O que se está vendo agora, no entanto, deixa o país em um perigoso compasso de espera. No início do ano, com a posse do atual governo, o otimismo era enorme. Os agentes econômicos estavam certos de que a política liberal defendida pelo presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, faria o Produto Interno Bruto (PIB) dar um salto espetacular, com mais investimentos, mais empregos e salários melhores.

Três meses depois, a sensação é de frustração geral. A falta de sintonia entre o Planalto e o Congresso, ao qual cabe decidir os rumos de projetos importantes como a reforma da Previdência, nublou o horizonte. A perspectiva de que as mudanças nos regimes de pensões e aposentadorias fossem aprovadas ainda neste primeiro semestre do ano saiu de cena. Hoje, não há qualquer analista que se arrisque a prever um prazo para que o principal projeto do governo saia do papel. Um problemão, pois, quanto mais a reforma demorar para ser aprovada, pior serão as perspectivas para a economia.

Se Congresso e Planalto insistirem no confronto, todo o país será prejudicado. O ministro da Economia já avisou, por diversas vezes, que o Brasil mergulhará novamente na recessão e comprometerá o futuro das próximas gerações. Não é possível que os eleitos pela maioria da população não se deem conta do abismo que está sendo cavado. O país já pagou um preço alto demais por causa do voluntarismo de governos de plantão. Será que estamos condenados a reviver o pesadelo dos últimos anos, que resultou em desemprego recorde e na destruição das contas públicas?

O Brasil precisa de serenidade. Congresso e Planalto devem afinar os ponteiros. Há uma urgência em se tirar o Brasil da armadilha do baixo crescimento. Mas isso não será feito à base do confronto. Pelo contrário. A saída passa pela convergência de ideias e pelo diálogo. Governar o país requer seriedade. Presidir a Câmara e o Senado exige equilíbrio. Infelizmente, não é o que se está vendo neste momento. Resta torcer para que o clima de beligerância seja dissipado o mais rapidamente possível para que o bom senso volte a reinar nesta nação tão maltratada.



Frases

"Não tenho apego ao cargo, mas não tenho a irresponsabilidade de sair na primeira derrota"
 
. Paulo Guedes, ministro da Economia, ao afirmar que não pretende deixar o cargo se for derrotado na votação da reforma da Previdência

 
 "Não foi condição de tranquilidade absoluta, mas pudemos realizar
e honrar com todos os compromissos da prefeitura"
 
. Alexandre Kalil, prefeito de Belo Horizonte, em audiência de prestação de contas de 2018 na Câmara Municipal


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