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Estado de Minas

O Brasil tem rumo


postado em 26/03/2019 05:05

Felizmente, nem tudo é notícia ruim no Brasil. Em fevereiro, mesmo com a economia patinando, o país registrou a abertura de mais de 173 mil empregos com carteira assinada. No acumulado do ano, o saldo passou de 211 mil vagas. Essa força do mercado de trabalho é o sinal mais contundente do que pode acontecer na economia se os políticos – aí incluído o presidente da República – tiverem juízo em relação à reforma da Previdência. A perspectiva de arrumação das contas públicas levará os empresários a retomarem os investimentos em seus negócios, contratando mais trabalhadores e melhorando a renda.

Apesar dos números positivos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), os especialistas se mantêm cautelosos ante o futuro. Motivo: as divergências entre o Executivo e o Legislativo em torno da proposta de mudanças no regime de pensões e aposentadorias. Eles alegam que, sem os ajustes na Previdência, o Brasil certamente voltará para a recessão. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) dão a dimensão do que aconteceu nos últimos anos diante do adiamento da reforma. Entre o segundo mandato de Dilma e o governo de Michel Temer, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 1,2% ao ano, na média.

Para que o Brasil não tenha a pior década em 120 anos, é preciso que o PIB cresça 5,7% até o ano que vem. Esse incremento da economia, contudo, só será possível se o Congresso der o esperado aval à reforma da Previdência. No cenário mais positivo para 2019, o PIB pode saltar 2,5%. Para 2020, o aumento ficaria acima de 3%. Ou seja, ainda é possível evitar um vexame sem precedentes para um país que sempre se apresentou como promessa para o futuro. A decisão, todos sabem, está com o Palácio do Planalto e o Legislativo.

É inaceitável que, perante tamanho desafio, os políticos fiquem batendo boca, cada lado tentando justificar posições injustificáveis. O Brasil precisa da pacificação. Cada poder tem o seu papel. Ao Executivo, cabe apresentar as propostas para a melhoria do país. Ao Legislativo, discutir todas as sugestões e aprová-las, se houver concordância. Nada disso será feito sem um diálogo aberto, fluído, transparente. Esse diálogo está na base da democracia. O fato de um presidente da República conversar com os parlamentares não indica que esteja cometendo irregularidades. É do jogo, até para aprimorar as ideias.

Recusar a negociação sob o argumento de que uma nova era começou na política é, no mínimo, irresponsabilidade de um governante eleito pela maioria da população. O país não aceita isso. O fanatismo deve ficar restrito às redes sociais. A vida real vai muito além dos 280 toques das mensagens que provocam burburinhos, mas em nada contribuem para um debate da grandeza que o Brasil necessita. O momento é de todos baixarem a guarda e dar uma chance de o país mudar de patamar.


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