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Estado de Minas

Muito a ser respondido


postado em 13/03/2019 05:04

Num país em que nove em cada 10 assassinatos não são resolvidos, é alvissareiro saber que, mesmo um ano depois, se chegou aos prováveis matadores da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes. Mas ainda faltam muitas respostas, sobretudo saber quem foi o mandante do crime e o por quê. Os dois acusados presos, ontem, agiram sob o comando de alguém ou de um grupo. Não há dúvidas disso. Há muitos interesses por trás dos assassinatos que precisam ser revelados. O Estado tem a obrigação de prestar contas de todos os pontos que ainda não foram respondidos.


Sabe-se que a polícia do Rio de Janeiro é extremamente corrupta. Portanto, a entrada da Polícia Federal (PF) nas investigações e o papel incisivo do Ministério Público (MP) foram fundamentais para que as mortes de Marielle e de Anderson não caíssem nas estatísticas dos crimes não elucidados. Marielle foi assassinada em pleno exercício do mandato. Foi um crime político, um ataque à democracia, especialmente pelo fato de a parlamentar defender uma agenda social e atacar a violência das milícias e do tráfico de drogas em muitas áreas do Rio. Também foi um feminicídio.


Os números da operação que levou à prisão dos dois assassinos de Marielle e de Anderson chamam a atenção. Foram analisadas 32,3 mil linhas telefônicas, das quais 318 interceptadas. Os investigadores ouviram 230 testemunhas e rastrearam sinais emitidos por 2.428 antenas de estações de redes de telefonia.

 

Contudo, será preciso muito mais, pois, sem chegar aos mandantes dos crimes, o trabalho ficará incompleto e a sensação de frustração será geral. A sociedade exige que as investigações sejam concluídas e todos os culpados levados à Justiça.


Mais: as autoridades têm o dever de usar todas as informações que colheram para pôr fim às milícias, aberração que surgiu no Rio por total ausência do Estado. A população de várias comunidades são achacadas, diariamente, pelos milicianos – a maior parte deles, policiais. Aqueles que se negam a ser subjugados por esses grupos criminosos são mortos de forma violenta para servir de exemplo. O mais assustador é que políticos eleitos para trabalhar em prol do povo acabam se associando às milícias, alguns assumindo o comando das organizações de foras da lei.


A sociedade chegou ao limite. Não aguenta mais tanto desrespeito e tanta violência. Até quando aqueles que deveriam garantir o bem-estar dos cidadãos manterão os olhos fechados para esse Estado paralelo, que zomba do poder constituído e faz as próprias leis? Se não der uma resposta contundente a essas organizações criminosas, o Brasil perderá uma de suas principais batalhas, a da segurança pública. Os números da violência são assustadores. Mais de 60 mil pessoas morrem por ano vítimas da violência. Marielle e Anderson são apenas mais dois nas estatísticas aterradoras. Que a solução do assassinato deles seja uma luz no fim do túnel e possa ser vista como um sinal de que o país ainda tem jeito.


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