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Estado de Minas

BH, capital da geração prateada

A cidade não está preparada para conviver, para acolher, para oferecer melhor qualidade de vida às pessoas que passaram dos 60 anos


postado em 09/02/2019 05:04

 

 






Belo Horizonte já foi chamada de Cidade Jardim por conta das áreas verdes que conseguiu preservar; ganhou de um comitê da ONU o título de metrópole com a melhor qualidade de vida da América Latina; foi relacionada numa publicação internacional de economia entre as 10 melhores cidades do continente para se fazer negócios e tem o título de Capital Nacional dos Botecos porque está aqui o maior número de bares per capita do país.

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) quer, agora, ajudar a transformar nossa cidade na capital da chamada geração prateada, um mar de gente acima dos 60 anos, que os especialistas também classificam como tsunami prateado, e que movimenta, anualmente, no Brasil, R$ 1,6 trilhão.

Explico melhor. Pesquisa recente do IBGE mostrou que a população brasileira está envelhecendo numa velocidade maior do que se previa. De acordo com o instituto, o Brasil é um dos países com um envelhecimento populacional mais acelerado do mundo.

Como uma entidade de classe, que representa os setores do comércio e de serviços, a CDL decidiu conhecer melhor esse consumidor 60+. Encomendamos, então, um estudo para saber o que essa parcela da população pensa, como age, o que quer, quais os seus hábitos de consumo e qual a sua relação com a cidade. Inicialmente, nosso objetivo era traçar um panorama do mercado sênior mineiro e preparar o nosso associado para atender melhor esse consumidor.

Os resultados do levantamento, inédito no Brasil, surpreenderam. A geração acima dos 60 anos não aceita mais ser chamada de "velha". "Madura" é a palavra que define melhor esse contingente da população. Ao contrário do que se pensava, tecnologia e envelhecimento caminham juntos. Para os prateados, as novas tecnologias são janelas para o mundo: 80% têm um computador ou notebook; 59% têm uma TV com acesso à internet, e 90% dos mineiros com mais de 55 anos têm um smartphone.

Constatou-se que os idosos de hoje (ou melhor, maduros) têm um estilo de vida e hábitos de consumo que eram, décadas atrás, associados aos jovens. Namoram on-line e têm vida sexual ativa, trabalham, fazem atividades físicas, são ativistas de causas modernas, continuam curtindo rock e buscando aprimoramento intelectual e profissional.

Mas exatamente por não serem mais considerados velhos, esses cidadãos se tornaram praticamente invisíveis para a sociedade (inclusive por conta da boa aparência física), que não os reconhece como detentores de direitos. Uma parcela significativa dos entrevistados apontou que o grande desafio da sociedade atual é inserir essa geração, de forma ampla, nas ruas, no cotidiano da cidade.

Em plena capacidade intelectual e com a larga experiência adquirida durante anos, os profissionais com mais de 60 anos se sentem plenamente em condições de trabalhar. Mas relatam, entretanto, preconceito do mercado de trabalho exatamente por causa da idade.

Do grande conjunto de informações que colhemos com o estudo, ficou claro, em primeiro lugar, que o comércio e as empresas prestadoras de serviços não estão, na sua grande maioria, preparados para lidar com esse público. Portanto, o trabalho primeiro da CDL, como entidade de classe, é preparar o associado para entender e atender melhor esses consumidores, o que já estamos fazendo.

Mais que isso, entretanto, percebemos que, definitivamente, a cidade não está preparada para conviver, para acolher, para oferecer melhor qualidade de vida às pessoas que passaram dos 60 anos. Por essa razão, a diretoria da CDL decidiu que não pode encarar essa geração prateada meramente como consumidores, mas, sobretudo, como cidadãos.

Daí a ideia de liderar um movimento para transformar Belo Horizonte na capital dos 60+, uma cidade que tenha um conjunto de iniciativas, inclusive políticas públicas, para essa geração madura, que possa servir de modelo para o restante do país. Essa será uma das prioridades da nova diretoria da CDL-BH, que assume oficialmente suas funções a partir de de segunda-feira.

Claro que vamos continuar contribuindo com o desenvolvimento econômico e social da cidade, trabalhar por mais segurança, por um plano melhor de mobilidade urbana, e investir fortemente em inovação, com foco no empreendedorismo. Mas como presidente da entidade, vou trabalhar de forma incansável, em parceria com o governo do estado, prefeitura, outras entidades de classe e sociedade civil organizadas para que, em breve, Belo Horizonte tenha também o título de capital da geração prateada.


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