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A ignorância não é uma benção

Sob um ponto de vista fundamental, os estudos aumentam os horizontes, as possibilidades, as escolhas


postado em 16/01/2019 05:10

studar não é fácil. Pode ser divertido para alguns, mas para a maioria das pessoas exige investimento, esforço e tempo. Estudar também pode ser angustiante e contraditório. Observa-se que quando algumas questões desaparecem com o aumento do conhecimento e estudos, outras surgem, crescendo a nossa ignorância. Nesse sentido, a analogia com o balão plástico que é preenchido por um gás é interessante. Enquanto se preenche um balão com gás, a superfície do balão cresce. Analogamente, à medida que o conhecimento aumenta, a fronteira entre o conhecido e o desconhecido aumenta também. Considera-se, pois, intrigante o fato de o ser humano se esforçar tanto para aprender, acumular conhecimento, se isso pode lhe causar sofrimento. Uma angústia tal que por vezes faz alguns indivíduos negarem o conhecimento e acreditarem que a ignorância é uma bênção.


Sob um ponto de vista fundamental, os estudos aumentam os horizontes, as possibilidades, as escolhas. Indivíduos que se abrem ao conhecimento conseguem enxergar soluções e oportunidades, onde ignorantes observam fatos com interpretações desproporcionais ou falsas. Recentemente, o Brasil foi detectado como um país com alto índice de ignorância pelo Instituto Ipsos. Isso foi feito através de uma pesquisa que mediu a capacidade do brasileiro de entender e conhecer a própria realidade. Foi observado, por exemplo, que o brasileiro acredita que a população carcerária é constituída de 30% de imigrantes, enquanto esse valor gira ao redor de 0,4%: um erro causado por uma avalanche de informações falsas e falta de conhecimento de nossa realidade. Isso deve ser matéria de reflexão de cada um de nós, pois um indivíduo guiado por falsas informações e interpretações é comumente levado a soluções equivocadas e catastróficas. Conforme o pedagogo Paulo Freire já pregava, somos obrigados a ler o mundo, é da nossa natureza, mas essa interpretação depende de nossa base de conhecimentos. Dar uma explicação científica, histórica ou religiosa para um problema qualquer vai depender do conhecimento que adquirimos desde a infância. Assim, o esforço em se obter o conhecimento com o objetivo de interpretar a realidade é produtivo. E isso pode ser realizado de diversas maneiras, quais sejam pela leitura, pela realização de cursos e pela obtenção de novas experiências. Observa-se que o conhecimento, como a ignorância, reside em todos os lugares.


Sob um ponto de vista prático, o conhecimento valoriza o ser humano. Pessoas inteligentes e educadas são estimadas, pois possibilitam troca de experiências, luz e clareza. Profissionais capacitados também são melhor remunerados. No último censo foi corroborada a relação entre renda e escolaridade, confirmando-se que quanto mais se estuda, maior é a renda dos trabalhadores. Ocorre que a dedicação aos estudos ajuda os indivíduos a conseguir e manter boas posições no mercado de trabalho. A educação valoriza os trabalhadores porque os habilita a resolver mais problemas, a lidar com novas tecnologias e a se manter produtivos. Profissionais estimados e requisitados são aqueles que dominam o que muitos precisam e poucos conhecem.


Ainda, o acúmulo e a aplicação do conhecimento melhoram a vida das pessoas. No mundo atual, vive-se em média muito mais do que há 600 ou 60 anos atrás. Segundo o IBGE, atualmente, a expectativa de vida do brasileiro é de 76 anos; em 1960, era de 54. A vida é mais longeva não somente porque novos medicamentos, vacinas e diagnósticos foram criados, mas também por causa das novas atitudes. Os cuidados com a saúde são cada vez mais conhecidos. As principais descobertas são disponibilizadas na internet, TV, jornais e revistas. Por exemplo, não é novidade que o sedentarismo e uma dieta rica em açúcar devem ser evitados por indivíduos que desejam manter a saúde. Adicionalmente, cresce a conscientização de que saber o quanto antes o diagnóstico de determinadas doenças implica forte possibilidade de cura dessas.


Portanto, a ignorância não é uma bênção. O conhecimento melhora a percepção das pessoas sobre o mundo, faz a vida mais longeva e valoriza os indivíduos. De alguma forma, conhecimento e ignorância se amalgamam, estabelecem uma relação intrínseca, como aquela entre o bem e o mal, a vida e a morte. E se existe sofrimento ao saber, é importante aprender a lidar com ele, assim como se lida com a existência do mal e da morte. Conforme o escritor Isaac Asimov afirmou, se o conhecimento pode nos causar problemas, não é através da ignorância que podemos solucioná-los.


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