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Estado de Minas

A vida e as filas

À medida que o tempo passa, os que estão atrás da gente vão só aumentando, da mesma forma em que vão saindo os que estão na nossa frente


postado em 09/01/2019 05:02

Não há quem não reclame das filas, sobretudo, nas grandes cidades. Há fila para tudo: no caótico trânsito, cinema, aeroporto, repartições públicas e até nos consultórios médicos; mesmo com hora marcada. Há, porém, uma fila virtual que nem todos nos damos conta dela: a fila da vida. Ela se impõe, silenciosamente, e muitas vezes temos que percorrer os mais variados caminhos, longos, lentos, espinhosos também e todos ligados à multifacetada escala social. Essa imposição leva-nos a enfrentar uma fila sob as mais variadas circunstâncias e olhares, enfrentando desafios de toda a ordem, com perigos de sair do melhor caminho, onde nem sempre é alegria e nem se pode realizar tudo que se deseja. Risco maior é passar na frente de todos de repente. A lei da conservação, entretanto, faz-nos caminhar obstinadamente, mesmo sem saber aonde vai levar-nos e quando ela vai terminar. Talvez aí esteja, nessa agradável ignorância, sem saber o final, a motivação de tantos projetos, a esperança que proporciona cultivar justos anseios, como se tudo começasse hoje e fosse durar para sempre.


Entretanto, bem sabemos que há uma forte realidade por trás de tudo isso a indicar que essa fila tem fim e um dia acaba para nós, pois, à medida que o tempo passa, os que estão atrás da gente vão só aumentando, na mesma medida como vão saindo os que estão na nossa frente, para permitir nosso avanço. Essa fila, portanto, parece ser a única que, ao contrário das outras, ninguém quer “furar”. Todos nós preferimos que ela ande sempre devagar, ou para muitos sonhadores que ela pare. Como enfrentar tal realidade? A verdade é que não é fácil para ninguém ir tomando consciência de que ela está andando e não temos como detê-la.


Nossa cultura ocidental procura valorizar muito a vida aqui na Terra e todas as demais coisas terrenas, o que não deixa de ser um grande complicador para lidar com este assunto de forma menos dolorosa e que nos acompanha em toda a existência. Os orientais, ao contrário, jogam suas maiores energias na valorização do espírito. Os budistas, por exemplo, praticam a vida desejando menos bens materiais na convicção de que só assim irão encontrar a paz e merecer o Nirvana. Dessa forma, para eles, a morte não é nenhum “bicho de sete cabeças”, é o renascer para outra vida com o entendimento maior de que,

 desgarrando-se do apego às coisas físicas, irão purificar-se até ao ponto de não ser preciso reencarnar mais. A base desse pensamento é que, “livrando-se do desejo, veremos que temos tudo de que precisamos”. Daí a vantagem da prática da espiritualidade é poder apegar-se a tais valores, deixando-nos menos inseguros e com a sensação de que não estamos abandonados. Para os agnósticos, existe a ciência chamada de biotanatologia, isto é, estudo da vida e da morte. É uma grande ajuda a enfrentar um luto na família ou as próprias angústias de que a certeza da morte, inexoravelmente, vai chegar. Se essa fila está diminuindo, é melhor deixá-la andar, seguir seu curso e preocupar mais em viver o que nos resta.


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