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A nulidade na política


postado em 08/01/2019 05:05


O grande poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, ao publicar um diário que manteve por longos anos com o nome O observador no escritório, descreve na data referente a 17 de agosto de 1977 a seguinte ironia de cunho político: “Às vezes a gente tem saudade do extinto PRM, órgão pouco democrático da democracia anterior a 1930. Ele tinha sempre o cuidado de eleger, fosse de que maneira fosse, alguns mineiros ilustres, no meio de muitas nulidades ou mediocridades, para compor a bancada na Câmara e no Senado federais. Um poeta como Augusto de Lima não perdia eleição, assim como Calógeras ou Afrânio de Melo Franco, mais intelectuais do que propriamente políticos. E o estado tinha uma representação equilibrada: gente que pensava e brilhava, e gente que simplesmente dava número”.

Comparando a já longínqua época do PRM com o atual cenário político, fica um certo amargor para a população brasileira, pois, apesar de ter ocorrido um suposto avanço democrático no país, houve, também, uma tremenda deterioração na qualidade dos homens públicos. E isso tanto do ponto de vista moral quanto intelectual. Trazendo prejuízos irreparáveis. Além de imensa saudade do tempo no qual as tribunas nacionais eram ocupadas em grande parte por pessoas realmente capacitadas. Ainda que naquela época fosse necessário fazer uso de meios não muito democráticos para evitar o estabelecimento do reino da nulidade do meio político.

Lógico que o momento atual não permite – nem deveria – tais mecanismos antidemocráticos na escolha dos representantes do povo. Então, como fazer para que o nível dos políticos em todo o Brasil se eleve e com isso as perspectivas futuras da nação sejam menos desalentadoras? Quais seriam as soluções para evitar que o número das nulidades fosse reduzido a “níveis aceitáveis”? Questões como essas devem estar na pauta das discussões dos que irão reformular o atual corrompido sistema político. Pois ele é o responsável em tomar as decisões vitais ao futuro existencial da nação. E isso é urgente. Afinal, nenhum fruto benéfico colhe o país das nulidades que se apropriam das possibilidades oferecidas pelo sistema democrático. E com isso se elegem sem, na verdade, representar ninguém, apenas a si mesmo.

O debate desse precioso tema deve visar ao aperfeiçoamento da democracia em sua essência. E constituir empecilho à manipulação dos ingênuos pelos populistas demagogos sempre dispostos a fazer uso de recursos ilícitos. E, dessa forma, evitar possíveis manipulações ideológicas portadoras de futuras deletérias restrições democráticas. Pois o futuro de uma nação é por demais precioso para ser refém do humor errático de uma população totalmente entorpecida e fanatizada. E dessas tragédias evitáveis, salva-se não apenas a geração presente, mas, principalmente, as futuras gerações que sempre pagam pelos erros e excessos dos seus pais.

Pois é notório que toda nação, nos seus capítulos iniciais, vive a expectativa de que o seu processo de formação a tornará uma pátria exemplar e preciosa. Sobressaindo, visando a esse fim, o imenso esforço humano de grande parte do seu povo. Predominam, nesse período, ideais de um viver idílico, onde todos no futuro usufruirão do bem-estar construído. E a paz e a dignidade humana prevalecerão. Esses são os tempos dos sonhos.

No entanto, o Brasil, após décadas de lutas por um país mais digno, viu nesses últimos anos quase tudo se tornar fumaça. Evidenciando que muitas vezes os desejos mais alvissareiros dos homens não se realizam. Pois sempre existem os que se aproveitam do suor do trabalho derramado pela maioria da população em benefício próprio. E transformam os sonhos do povo de uma nação em futuros pesadelos nacionais.

Por isso, nunca o momento foi mais oportuno do que agora para se criar uma nova forma do ser político. Em que não apenas sejam resgatados os mais nobres valores morais no trato da coisa pública, mas, principalmente, sobressaia a capacidade do indivíduo como diferencial na reconstrução de uma nação que foi levada à beirada do precipício. E nessa toada sejam criados mecanismos que melhorem a representatividade política. Se não impedindo totalmente a presença de nulidades no trato da coisa pública, pelo menos amenizando drasticamente a presença de tais perniciosos elementos.

A crescente importância do Brasil na nova geopolítica mundial requer uma classe política que esteja à altura do novo papel a ser desempenhado pela nação. E os nulos não apenas não somam, como ainda subtraem. Urge, portanto, criar-se uma nova formatação em que o brilhantismo do indivíduo público reflita sua imensa capacidade. E, com isso, uma nova perspectiva de futuro seja criada para toda a nação. Tão bela e harmoniosa como os mais belos versos do mavioso poeta itabirano.


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