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A última (e maior) esperança

A alegria da esperança viva até a última noite de um ano difícil como 2018 anima o apostador e serve de alento ao sonhador


postado em 29/12/2018 05:07

Carteira assinada, salário, comida na mesa, educação, saúde e dignidade. Quando 2018 chegar ao fim, será esse o desejo de milhões de brasileiros afetados pela maior recessão da história do país e suas consequências. Ao mesmo tempo, outros tantos milhões chegarão ao dia 31 de dezembro acalentando a esperança de se tornar milionários. A Mega da Virada, cujo prêmio deve chegar a R$ 280 milhões, mexe com o imaginário de uma nação castigada pela retração do poder de compra, pelo avanço do número de miseráveis e pela desesperança do fechamento de vagas no mercado.

Enquanto o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontava 12,2 milhões de pessoas à procura de emprego no Brasil, um estudo da Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV EMAp) revelou que o prêmio estimado da Mega-Sena da Virada, se pago em notas de R$ 50, pesaria algo em torno de 4 toneladas. O fardo dos sonhos do brasileiro médio.

Não bastasse o fantasma do desemprego, a crise nos estados – que causa atraso no pagamento do funcionalismo – e a aproximação de um 2019 de incertezas, as projeções divulgadas pelo relatório Focus, do Banco Central, na última segunda-feira, apontam que o PIB de 2019 crescerá cerca de 2,5%. O resultado é melhor que o de 2018, mas ainda tímido para salvar o principal motor da economia: o emprego. As projeções mostram que se o crescimento seguir lento, repetindo a taxa esperada para 2019, levará nada menos que 10 anos para que o desemprego caminhe dos atuais 11,7% para 6,8% registrados em 2014.

A lentidão da retomada reforça a redenção da Mega da Virada, já que, para milhares de brasileiros, o caminho para uma vida digna e plena parece muito mais longo que os 630 quilômetros do prêmio da loteria enfileirado em notas de R$ 50 – ainda segundo o estudo da FGV. Lado a lado, as cédulas cobririam 11 campos de futebol, dizem os matemáticos do EMAp.

Com o salário mínimo em R$ 1.006 a partir de 1º de janeiro, é natural que um prêmio 278 mil vezes maior faça crescer as filas das lotéricas e povoe os sonhos de quem ainda não sabe como vai arcar com as despesas de janeiro. Com o prêmio aplicado na caderneta de poupança, o sortudo que marcar os números da fortuna no volante da lotérica, se ganhar sozinho, poderá contar com R$ 1 milhão mensal em rendimentos.

As chances, dizem os especialistas, são menores que as de sofrer um ataque de tubarão ou de ser vítima de um acidente aéreo, mas a alegria da esperança viva até a última noite de um ano difícil como 2018 anima o apostador e serve de alento ao sonhador. Aos desiludidos que não acertarem os números, sobram a festa da noite de segunda, a folga da terça-feira e um ano inteiro de novas lutas. E de novas esperanças.

 


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