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Estado de Minas

Prioridades e o futuro do Brasil

Quem governa deve entender o que as pessoas precisam e sonham para suas vidas e futuro


postado em 27/10/2018 05:14

 


Nunca foi tão difícil entender qual é a prioridade das pessoas ao definir seus votos. Fazem leituras do passado, do futuro, falam dos perfis pessoais dos políticos, mas apresentam pouco das propostas estabelecidas por eles. E não há definição de um critério claro sobre o que é prioritário para um projeto de governo.

É preciso compreender que está em nossas mãos escolher uma equipe para gerenciar nossa sociedade, estado e país. Não estamos escolhendo quem será amigo(a), namorada(o) ou cliente. Administrar algo com essa complexidade exige técnica, e não carisma ou simpatia, que são indispensáveis, mas para outros fins.

Quem governa deve entender o que as pessoas precisam e sonham para suas vidas e futuro. E isso é complexo. Mas alguns pontos são comuns a todos, como saúde, segurança, alimentação, moradia, informação, transporte, educação e lazer. Somos consumidores disso tudo por essência, sobrevivência, portanto, esse é o fim. E sabemos que muitos não têm essas necessidades atendidas. Mas temos certeza de que o meio para atingir todas elas é o trabalho. Entendendo isso, pode-se enxergar com mais clareza as prioridades.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no cenário atual brasileiro, a taxa de desemprego é de 12,4%, ou seja, cerca de 13 milhões de pessoas estão sem trabalho. Uma explicação para esse dado exorbitante é o fechamento de quase 350 mil empresas no país, entre 2013 e 2016, auge da crise econômica. Vários fatores estão no cerne desse problema e todos resultam de uma má administração dos recursos pelo governo.

A gestão pré-crise direcionou seu esforço em dar crédito para as pessoas consumirem, em vez de oferecer uma estrutura de produtividade para as empresas brasileiras, de forma que a produção e a livre concorrência fossem incentivadas. Com baixo nível de competitividade interno, mas com crédito, o consumo aumentou, inclusive de produtos fora do Brasil, pois estavam mais baratos. O resultado disso foi uma falsa sensação de que tudo havia melhorado. Entretanto, com o passar do tempo, sem melhorias na produtividade e no mercado interno, com pessoas e empresas endividadas, e produtos cada vez mais caros, a conta chegou.

Além disso, a arrecadação do governo, que cresceu em determinado momento, foi usada para inchar, progressivamente, o aparelho estatal, com estruturas cada vez mais improdutivas e burocráticas. Com a quebra generalizada, a arrecadação caiu. Outros gastos relevantes por parte do governo, como a Previdência, subiram, o que gerou um déficit no país, dificultando ações que poderiam melhorar a produtividade, como, por exemplo, a redução dos impostos. A consequência foi a falência de empresas, desemprego, e uma dívida superlativa se comparada ao Produto Interno Bruto (PIB).

O Brasil ainda possui "particularidades" que contribuíram para uma crise de competitividade e produtividade. De acordo com consultorias internacionais, para se contratar um funcionário no país, a empresa irá pagar 3,5 vezes mais do que a média mundial em encargos trabalhistas. Esse é o "imposto" para se empregar. O que é chamado de "direito trabalhista" por alguns dos nossos candidatos.

Soma-se a isso o fato de vivermos num oligopólio bancário, com opções de empréstimo e financiamentos em poucos bancos. Conforme dados do Banco Mundial, ocupamos o segundo lugar no ranking mundial em spread bancário, tornando as taxas de juros ao consumidor final uma das maiores do mundo.

Ainda segundo o banco, o Brasil é o país mais burocrático do mundo. São 2 mil horas e R$ 60 bilhões gastos somente em burocracia tributária por ano. A Bolívia, para título de comparação, que é a segunda pior, gasta metade dessas horas. Todas essas estruturas excessivas, que não produzem nada, somadas a outras, levam o Brasil a uma queda cada vez mais agressiva, e à atualmente incômoda 125ª posição no ranking mundial em ambiente de negócios, outro dado do Banco Mundial.

Tudo isso mostra que, enquanto os consumidores estão endividados e/ou sem emprego, as empresas ficam sem repertório para trabalhar soluções de melhoria nos produtos e serviços e permitir que os preços fiquem mais acessíveis. Todo esse custo estrutural está embutido nos preços aplicados ao consumidor final. E o dinheiro circula na mão de quem pouco produz ou vai para a burocracia. Definitivamente, perdemos o critério da boa administração dos recursos.

Se, neste momento, os eleitores não souberem fazer uma leitura do passado recente, enxergar resultados e definir bem as prioridades, os investidores, elites endinheiradas, empreendedores e pessoas capazes de oferecer oportunidades a outras sabem muito bem. E, optar por investir aqui no Brasil, num possível cenário de retrocessos, é que não vai ser. Este é um momento de definição.


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