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Estado de Minas

Sociedade de Infectologia afirma que não é momento para pânico com coronavírus

Em informe divulgado nesta quinta-feira (12), a SBI lista orientações e informações sobre a pandemia de coronavírus. Apesar de dizer que a situação não é para pânico, a entidade prevê um aumento exponencial no número de casos em São Paulo e no Rio de Janeiro nos próximos dias ou semanas


postado em 12/03/2020 16:01 / atualizado em 12/03/2020 19:23

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) divulgou nesta quinta-feira (12) um documento com orientações e informações sobre a pandemia de coronavírus. No informe, os médicos da entidade afirmam que o momento não é de pânico para os brasileiros. Além disso, o texto lista características da infecção pelo vírus, como a transmissibilidade, e traz recomendações para fortalecer a prevenção.

 

De acordo com o informe da SBI, a medida mais eficaz que se pode tomar para prevenir a infecção pelo coronavírus é a higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool gel a 70%. Segundo o documento, o período entre o momento da infecção e o aparecimento de sintomas – o período de incubação – é em média de cinco dias, podendo chegar a 14 dias em casos raros. No texto, os médicos reiteraram a necessidade de isolamento respiratório para os casos suspeitos, uma vez que a transmissibilidade é maior nos primeiros três a cinco dias de início de sintomas

O documento recomenda que nenhum medicamento seja usado para tratar pacientes com COVID-19 até se ter evidência científica de comprovação. A SBI lista medicações como: lopinavir-ritonavir, cloroquina, interferon, vitamina C, corticoide, que não devem ser aplicadas para tratar a doença. Em certos casos, as drogas podem piorar o quadro de infecção. 
 
Os infectologistas afirmam que entre 80% e 85% dos casos de COVID-19 são leves: os pacientes não precisam ser hospitalizados e devem permanecer em isolamento domiciliar. Enquanto isso, 5% dos casos precisam de internamento hospitalar intensivo. Quanto ao contágio, a SBI afirma que uma pessoa infectada transmite o vírus em média para 2,74 pessoas. Essa taxa é maior do que a da pandemia de influenza H1N1, de 2009, que registrou 1,5. Porém, é menor do que a de sarampo, na qual cada pessoa contaminada transmitia para outras 15. 
 
No texto, a SBI defende que neste momento não é recomendado fechar escolas ou faculdades no Brasil por causa do vírus. “O fechamento de escolas pode levar várias famílias a terem que deixar seus filhos com seus avós, pois seus pais trabalham. Nas crianças, a COVID-19 tem se apresentado de forma leve e a letalidade é próximo a zero; já no idoso, a letalidade aumenta muito”, argumentam os médicos. Segundo o informe, a letalidade do coronavírus em idosos com mais de 80 anos e mais de uma outra doença diagnosticada é de cerca de 15%. 
 
Porém, os infectologistas afirmam que essas orientações são dinâmicas e podem ser modificadas dependendo da evolução da epidemia no Brasil. De acordo com o texto, diferentes cidades e estados brasileiros podem estar em diferentes fases no país.
 
Em uma primeira fase, o COVID-19 chega no país apenas com casos importados. A segunda fase se caracterizaria pela transmissão local, quando quem não viajou contrai o vírus, mas é possível identificar quem o transmitiu. A terceira e última fase seria a transmissão comunitária, com um aumento exponencial no número de casos e não é mais possível identificar o paciente transmissor. 
 
Segundo os médicos, é possível que as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro entrem na terceira fase nos próximos dias ou semanas, devido ao tamanho das populações dessas capitais. A partir dessa fase de transmissão comunitária, a SBI recomenda medidas como o estímulo ao trabalho em horários alternativos, reuniões virtuais e restrição de contato social para pessoas com 60 anos ou mais. Além disso, deve-se avaliar o cancelamento ou adiamento de eventos com muitas pessoas. 
 
Em regiões com mais de mil casos, o que pode acontecer em poucas semanas, a SBI acredita que já se deve considerar o “fechamento das escolas, faculdades e universidades; interrupção de eventos coletivos, como jogos de futebol e cultos religiosos; fechamento de bares e boates; disponibilização de leitos extras de UTI”. Nessa situação, os médicos afirmam que pacientes com sintomas leves não devem procurar assistência médica, uma vez que o atendimento de saúde estará sobrecarregado. 
 
Por fim, o texto conclui que “somente as ações em conjunto da sociedade civil, agentes públicos, sociedades científicas e profissionais de saúde farão com que enfrentemos esta nova epidemia com sucesso, diminuindo a mortalidade principalmente entre os idosos e mitigando as consequências sociais e econômicas”. 


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