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Estado de Minas VIOLÊNCIA EM SP

Policiais são afastados da rua

Homens que atuaram na operação que resultou na morte de nove pessoas num baile funk em Paraisópolis vão para área administrativa. Governador João Dória isenta polícia de culpa


postado em 03/12/2019 04:00

Pichação em rua da maior comunidade da capital paulista pede paz e justiça depois do tumulto (foto: Miguel Schincariol/AFP)
Pichação em rua da maior comunidade da capital paulista pede paz e justiça depois do tumulto (foto: Miguel Schincariol/AFP)

Os seis policiais do 16º Batalhão da Polícia Militar (BPM) que atuaram na operação que resultou em nove mortes em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, na madrugada do sábado para o domingo, foram retirados da rua ontem. “Os policiais foram afastados para o serviço administrativo. Uma prática que ocorre normalmente. Por exemplo: quando há morte decorrente de intervenção policial, é quase automático que o PM seja afastado das ruas até a finalização da investigação”, disse a Ouvidoria das Polícias do Estado de São Paulo. Os policiais disseram, em depoimento, que fizeram “uso moderado da força”. Ontem, os moradores de Paraisópolis protestaram pedindo justiça.
 
A Ouvidoria das Polícias havia solicitado que os policiais militares envolvidos na ocorrência que terminou com mortes fossem afastados do serviço operacional das ruas. O pedido foi feito em ofício encaminhado à Corregedoria da Polícia Militar, que também apura as circunstâncias do caso. “A ocorrência foi desastrosa, pois acabou com tamanho número de mortes. A improvisação e a precipitação podem ter contribuído, direta ou indiretamente, para as mortes dessa tragédia”, disse ontem o ouvidor Benedito Mariano.
 
Segundo ele, o pedido tem caráter preventivo e visa a realocar os agentes para serviços administrativos enquanto a investigação do caso é realizada. O afastamento só pode ser determinado pelo comando da Polícia Militar, que, indicou que o pedido não seria atendido. “Os policiais (envolvidos no caso) não estão afastados. Eles estão preservados. Nós temos de concluir o inquérito. Não haverá açodamento de condenados anteriormente antes do devido processo legal”, disse o comandante-geral, coronel Marcelo Salles.
 
O ouvidor reforçou que testemunhas do caso podem procurar o órgão para relatar eventuais abusos por parte dos agentes. “Os depoimentos serão encaminhados para o DHPP e para a Corregedoria, solicitando que os termos sejam anexados aos procedimentos apuratórios conduzidos pelos dois órgãos, o que pode ser uma contribuição importante para as investigações”, disse Mariano.
 
Os seis policiais prestaram depoimento no domingo. Ao delegado, eles repetiram versões similares. Foram acionados para apoiar uma diligência de averiguação a um veículo modelo Celta de cor preta, mas o carro não foi encontrado. Durante o deslocamento pela Avenida Hebe Camargo, na altura do cruzamento com a Rua Rudolf Lutze, ocupantes de uma moto, ao verem os policiais, efetuaram diversos disparos e adentraram na multidão que participava do baile funk.
 
Os disparos, contaram os policiais, iniciaram uma confusão generalizada. “Em seguida, as equipes passaram a ser hostilizadas pelos frequentadores do baile funk que arremessaram garrafas, pedras e madeira na direção dos policiais”, declarou um dos agentes à polícia. Eles, então, tentaram sair do local, mas se depararam com duas viaturas danificadas pelo tumulto. “Desembarcaram para prestar apoio, no entanto havia um grande número de pessoas descontroladas, sendo necessário uso moderado da força com emprego de cassetete e munição química pelos policiais da Força Tática, do Comando 01 e 02 para dispersar a multidão.” Os policiais não relataram ter visto diretamente a confusão que levou à morte das nove pessoas.
 
Dória isenta polícia O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse ontem que lamentou as mortes de nove jovens que morreram na favela de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, no fim de semana, mas buscou destacar que o plano de policiamento do Estado “não mudará” por causa dessa ação. “A letalidade não foi provocada pela Polícia Militar, e sim por bandidos que invadiram a área onde estava acontecendo o baile funk. É preciso cuidado para não inverter o processo”, disse Doria. “Não houve ação da polícia em relação a invadir a área onde o baile funk estava ocorrendo. Tanto é fato que o baile funk continuou”, afirmou o governador. “(O baile) não deveria sequer ter ocorrido, porque é ilegal. Fere a legislação municipal”, completou.



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