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Estado de Minas

Após foto de menino coberto de óleo circular o mundo, especialistas alertam para intoxicação

De acordo com a presidente do Conselho Regional de Química de Pernambuco, Sheylane Luz, substâncias presentes no petróleo cru estão entre os compostos mais tóxicos do óleo


postado em 24/10/2019 16:48 / atualizado em 24/10/2019 18:02

Menino sai do mar repleto de óleo no Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco(foto: LEO MALAFAIA/AFP)
Menino sai do mar repleto de óleo no Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco (foto: LEO MALAFAIA/AFP)

A foto de um menino saindo do mar repleto de óleo na praia de Itapuama, Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife, circulou por alguns dos principais jornais do mundo ontem. O Clarín (Argentina), New York Times (EUA), SVT Nyheter (Suécia), Hamshahri (Irã) e a Agência France Press (AFP) publicaram a imagem feita pelo feita pelo fotógrafo Leo Malafaia, da Folha de Pernambuco.

Apesar da boa vontade dos voluntários, entrar em contato com as manchas de óleo que aparecem desde o fim de agosto no litoral nordestino, pode trazer riscos à saúde. De acordo com o presidente do Conselho Regional de Química de Pernambuco, Sheylane Luz, substâncias presentes no petróleo cru estão entre os compostos mais tóxicos do óleo. A volatilidade do material aumenta o risco de contaminação e por isso, para a especialista, luvas e galochas não são suficientes para a proteção de voluntários.

A Marinha do Brasil junto com o Ministério da Saúde alertou, em sua conta do Twitter, sobre os riscos do contato com o petróleo cru, que já atinge 223 localidades no Nordeste. A orientação é de que a população não manipule a substância e que evite o máximo de contato com a água do mar e área dos lugares afetados.


Nesta quinta-feira o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que as pessoas intoxicadas durante o trabalho de limpeza do óleo em praias da Nordeste usaram produtos tóxicos para limpar o óleo do corpo. “A gente tem visto as pessoas procurarem unidades de saúde, mas eles informam que retiraram aquele óleo que gruda com benzina, com gasolina, com querosene, colocaram substâncias ainda mais abrasivas, mais tóxicas do que o próprio petróleo” , disse. 

Ao ser questionado sobre a atuação do Ministério da Saúde frente ao problema, Mandetta afirmou que a situação não é crítica. Perguntado se seria necessário isolar as praias afetadas, o ministro descartou a necessidade. “Não, porque a toxicidade é insignificante, é mínima. Na composição, o que seria mais tóxico é o benzeno, mas é mínimo”, afirmou.

Mandetta ainda chamou a atenção do uso de substâncias abrasivas para retirada do óleo e disse que na “ânsia de ajudar” pessoas acabam manipulando o óleo sem o devido equipamento. “Aí, é claro que a pessoa vai ter irritação na pele, ela vai ter coceira, alergia. Pode ter inalação, porque o contato (é) intensivo, se embrenhar com aquilo dali, então a gente não recomenda que isso seja feito assim”, disse o ministro.


Casos de intoxicação


Foram pelo menos 17 voluntários que entraram em contato com óleo admitidos em um hospital no Litoral Sul de Pernambuco. Os pacientes tinham sintomas como vômito, enjoo e erupções na pele. 

O Conselho Regional de Química de Pernambuco alertou que o contato com as manchas de óleo, mesmo indireto, traz riscos à saúde e pode até mesmo causar câncer. A Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH) começou a coletar a água do mar em praias atingidas. As amostras serão enviadas para Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
 
“A capacidade tóxica [da substância], a gente sabe que existe. A gente precisa saber é se essa concentração [existente na água] oferece risco”, afirmou a professora do Departamento de Oceanografia da UFPE, Eliete Zanard Lamarto.

*Estagiária sob supervisão da editora-assistente Vera Schmitz, com agências 


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