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Estado de Minas

MP pede prisão de prefeito afastado acusado de abusos sexuais no Ceará

Ginecologista, José Hilson de Paiva foi afastado do cargo após reportagem mostrar abusos sexuais gravados pelo médico


postado em 18/07/2019 15:40

José Hilson Paiva, médico e prefeito afastado, é acusado por diversas mulheres de abusos sexuais(foto: Reprodução)
José Hilson Paiva, médico e prefeito afastado, é acusado por diversas mulheres de abusos sexuais (foto: Reprodução)

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) pediu, na noite dessa quarta-feira (17/7), a prisão do prefeito afastado de Uruburetama (CE), José Hilson de Paiva. O política e ginecologista é acusado de abusar sexualmente de pacientes. No pedido à Justiça, a promotoria alega que ele pode comprometer a investigação.

 

De acordo com o MPCE, mesmo afastado das funções de prefeito e médico, José Hilson de Paiva "é considerado influente no município e no meio político estadual, sendo capaz de, diretamente ou por interpostas pessoas, coagir, constranger, ameaçar, corromper, enfim, praticar atos tendentes a comprometer a investigação do Ministério Público e da Polícia Civil. O requerimento ratifica representação de prisão preventiva da Polícia Civil". 

 

José Hilson trabalhou como médico da Prefeitura de Cruz de 1992 a 2012, e manteve um consultório particular na cidade até 2018. Ele é acusado de praticar, desde 1986, o crime de abuso sexual e estupro de suas pacientes, conforme denúncias de mulheres que passaram por consulta ginecológica. Além disso, Hilson gravou 63 vídeos, filmados por ele próprio, com 23 pacientes. O material está em poder do MP.

 

Em nota, a defesa do prefeito atribuiu a denúncia a fatos políticos. “Os registros audiovisuais divulgados são primitivos, datando de muitos anos atrás. Portanto, do ponto de vista penal, não se descarta a verificação da extinção da punibilidade em tais fatos remotos, atingidos pelo instituto da decadência”, diz o texto.

 

O advogado Leandro Vasquez também questiona o argumento de que José Hilson de Paiva poderia atrapalhar o caso. “Como poderia influenciar na investigação de fatos ocorridos no passado distante? Que atos concretos de interferência foram praticados? Ora, desde que tomou conhecimento de que havia tal investigação, o Sr. José Hilson manifestou por escrito sua disposição em colaborar com todas as autoridades envolvidas na apuração. Nos parece que a prisão ora postulada visa a satisfazer a opinião pública, e não ao Direito”, afirma.

 

Denúncias

As acusações contra o prefeito ganharam mais repercussão após reportagem no Fantástico, da TV Globo, mostrar o caso no último domingo (14/7). Nesta semana, após a matéria, o MP recebeu os depoimentos das primeiras quatro vítimas, que se apresentaram à delegacia após a divulgação dos vídeos na imprensa. Antes disso, nenhuma mulher havia denunciado o médico ao órgão.

 

Na última semana, José Hilson de Paiva foi procurado pela equipe de reportagem para se pronunciar sobre os vídeos. Ao sair da prefeitura, o médico foi abordado e afirmou que tudo não passa de "jogada da oposição querendo me derrubar". 

 

Ele confirmou que mantinha relações sexuais com pacientes fora do consultório e afirmou não ter feito "nada forçado". Além disso, Hilson explicou que os casos aconteceram com "umas três pessoas". Quando questionado sobre os vídeos e fotos feitos por ele, o médico disse que vai consultar seu advogado e se defender. 

 

Mas a primeira investigação contra o médico ocorreu em março de 2018, depois da divulgação dos primeiros vídeos dos abusos e após ouvir quatro mulheres, que se identificaram como vítimas do então prefeito. Assim, o MPCE solicitou informações à Polícia Civil, que logo depois resolveu abrir o inquérito policial. O inquérito foi concluído em dezembro de 2018, e a Polícia sugeriu o arquivamento. 

 

Já em junho deste ano, o órgão instaurou outro procedimento através do Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc) e, até o momento, seis vítimas e uma testemunha já foram ouvidas.

 

Ainda de acordo com o MP, em 15 de julho deste ano, foi instaurado outro inquérito policial em Uruburetama, quando novas vítimas começaram a ser ouvidas. "Pelo menos 18 vítimas já identificadas nas imagens exibidas pela imprensa serão convidadas para prestarem suas declarações o mais rapidamente possível", diz o órgão em nota.

 

 

 

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