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Estado de Minas

João de Deus reaparece após denúncias, é aplaudido por fiéis e passa mal

'Sou inocente e acredito que a verdade aparecerá. Isso nunca aconteceu aqui', disse. Essa é a primeira aparição de João de Deus em Abadiânia após a acusação de abuso sexual


postado em 12/12/2018 10:26 / atualizado em 12/12/2018 11:03

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
Abadiânia (GO) — Por volta das 9h40 desta quarta-feira (13/12), o médium João de Deus, acusado por mais de 200 mulheres de ter cometido abuso sexual, chegou em Abadiânia para atendimentos na Casa Dom Inácio de Loyola. Minutos depois, João de Deus deixou o local amparado por advogados, funcionários e pessoas que se identificaram como médicos.

Ver galeria . 16 Fotos  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )


Ele teria passado mal durante o início dos trabalhos espirituais. Seguranças e funcionários do centro espírita impediram quem repórteres, fotógrafos e cinegrafistas se aproximassem do médium. 

Cerca de mil pessoas acompanham os trabalhos espirituais. “Agradeço a Deus a possibilidade de mais uma vez estar aqui”, disse antes de entrar na sala de cirurgias espirituais. Os devotos o aplaudiram, muitos choraram e precisaram ser amparados por familiares e funcionários do centro espírita. 

Antes de entrar num carro branco e sair do local, o médium rebateu as acusações de abuso sexual. Mais de 200 mulheres já denunciaram supostos assédios. “Sou inocente e acredito que a verdade aparecerá. Isso nunca aconteceu aqui”, disse rapidamente. 

Essa é a primeira aparição de João de Deus em Abadiânia após as acusações de abuso sexual. O médium ficou cerca de oito minutos no local. “Ele foi embora porque não teve condições de incorporar. Ele está medicado, e precisa de momento de paz e tranquilidade para realizar o trabalho espiritual. Esperamos que na parte da tarde ele consiga ter se restabelecido e vim atender normalmente”, explicou  Cláudio Prujar, voluntário do Cada Dom Inácio que ficou responsável por atender a imprensa. 


Agressões


Repórteres e cinegrafistas foram agredidos com socos e até mordidas durante a aparição de João de Deus. “Lamentamos o que aconteceu, não é de nosso costume, mas foi uma situação que saiu do controle”, lamentou Cláudio. 

Alguns fiéis agrediram profissionais da imprensa. Outros ameaçaram. “Vocês terão câncer e voltaram todos aqui para se curar. Vocês se arrependerão do que estão fazendo”, gritava uma mulher. A expectativa é que João de Deus retorne À casa do Inácio de Loyola a partir das 14h, quando os trabalhos espirituais são retomados. 

Nesta manhã, os atendimentos aconteceram normalmente com outros médiuns da corrente. Preces e orações iniciaram o ritual. Depois, uma ajudante do centro espírita separou os fiéis entre aqueles que visitavam o local pela primeira vez, aqueles que estavam ali pela segunda vez e finalmente aqueles que passaram por cirurgias espirituais há mais de oito dias.


Explicações 

 
A todo momento é pedido silêncio e que os celulares e máquinas permaneçam desligados. Parte da equipe está responsável por esclarecer as denúncias de abuso sexual. “São falas infundadas, sem provas, isso nunca aconteceu aqui”, disse uma recepcionista em francês a uma turista. 

Em outro momento, um homem conversava com um casal de americanos. Eles questionavam a conduta de João de Deus. "Acreditamos no poder mágico deste lugar, sabemos de muitas curas, mas se isso for verdade será muito ruim para todos”, reclamava o casal. 

O funcionário repudiou as acusações. “Jamais isso aconteceu aqui. Confiamos na conduta do médico. Vocês sabem, vocês conhecem o nosso trabalho. Aqui são distribuídos amor e caridade”, finalizou. 




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