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Estado de Minas

Rede de católicos LGBTs faz manifesto pedindo inclusão na igreja

O grupo fez um encontro nacional das pastorais na véspera da Parada Gay, em São Paulo. Padre de BH diz que o acolhimento é lição do Papa Francisco


postado em 08/06/2018 12:46 / atualizado em 08/06/2018 13:32

Os grupos católicos que representam a diversidade sexual fizeram um segundo encontro nacional em São Paulo(foto: Reprodução Facebook)
Os grupos católicos que representam a diversidade sexual fizeram um segundo encontro nacional em São Paulo (foto: Reprodução Facebook)

Com base na “pluralidade do próprio Deus”, os católicos gays, lésbicas, travestis, transexuais, travestis, bissexuais e transgêneros pedem o reconhecimento da diversidade nas igrejas. O recado foi expresso em um manifesto lançado nesta semana pela Rede Nacional de Grupos Católicos LGBTI+, que realizou o segundo encontro nacional em São Paulo, na véspera da maior parada gay do mundo que ocorre na cidade.

No documento, que recorre à beleza “múltipla” da Criação, o grupo pede o reconhecimento e a celebração plena da “diversidade de expressões, identidades, gêneros, sexualidades, raças, etnias, culturas e credos”.

Segundo o assessor pastoral da Rede de Católicos LGBT e vigário da igreja São Judas Tadeu de Belo horizonte, Padre Marcus Mareano, o encontro foi um momento de partilha dos grupos e de renovação do estatuto e manifesto.

“O manifesto demonstra a postura dessas pessoas de querer estar dentro da igreja, na comunhão com a igreja, vivendo os sacramentos e sendo reconhecidas na orientação sexual e gênero”, afirmou o padre.

Mareano diz que o Papa Francisco demonstrou a acolhida à diversidade sexual em várias atitudes e, com isso, tem inspirado outros líderes religiosos e as próprias pessoas LGBT a se sentirem bem na igreja.

O padre reconhece que há dificuldade de compreensão desse movimento em setores mais conservadores da igreja, mas acredita que as pastorais LGBT estejam avançando no Brasil.

“Já é certa a vitória e a conquista de espaços por parte dessas pessoas na igreja e na sociedade. Ainda restam alguns poucos setores conservadores, que com voz rouca conseguem fazer barulho, mas vamos permanecer firmes, unidos e dando testemunha de que o amor se manifesta de diversas maneiras. O amor é diverso, assim como Deus é diverso”, afirmou.

No manifesto, os católicos LGBT se colocam como povo de Deus e “membros inalienáveis da Igreja Católica Apostólica Romana e, acolhidos pela proteção de Maria, mãe desta mesma Igreja.


Leia a íntegra do manifesto:


Nós, leigas e leigos católicos reunidos no II Encontro Nacional de Católicos LGBTI , assumimos a missão de Promover e difundir a Boa Nova de Jesus Cristo e o projeto plenamente inclusivo do Reino de Deus, partilhando a experiência do Amor, da Liberdade, da Justiça e da Vida em abundância com todas as pessoas que são excluídas da Igreja e/ou da sociedade em virtude de sua identidade de gênero e/ou orientação sexual.

Nosso Encontro nasceu como um fruto importante do trabalho que vem sendo desenvolvido por esta Rede Nacional desde a sua fundação, no ano de 2014 – quando ocorreu o primeiro encontro de católicos LGBTI do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro –, e pelos grupos que a compõem desde o surgimento do primeiro deles, em 2007. Desde então, nosso trabalho tem se concentrado no desenvolvimento de ações pastorais dedicadas à promoção da cidadania de pessoas LGBTI na Igreja e na sociedade.

Comprometidas e comprometidos com a construção de uma “Igreja em saída”, assumimos a tarefa desafiadora de atuar nessas “periferias existenciais” que a Igreja – inclusive no Brasil – ainda tem tido dificuldades e por vezes resistências para escutar e acompanhar pastoralmente. Com as graças de Deus, a ação do Espírito tem sido sentida de forma abundante em nosso trabalho, que vem revelando inúmeros frutos e dons de amor, de fé, de esperança e de serviço ao Reino de Deus.

Somos filhas e filhos amados de Deus, que é Pai e Mãe, testemunhas do amor salvífico e incondicional de Jesus Cristo e, movidos pelo Seu Espírito, abraçamos a proposta do Evangelho como centro e fundamento maior das nossas vidas e do nosso trabalho.

Somos Povo santo de Deus, membros inalienáveis da Igreja Católica Apostólica Romana e, acolhidos pela proteção de Maria, mãe desta mesma Igreja, nos reunimos à comunidade de irmãos e irmãs batizados em Cristo, contribuindo com nossos dons, em toda a sua diversidade, na jornada da construção do Reino.

Impelidos pelo Espírito Santo, assumimos o chamado e a vocação a sermos sal da terra e luz do mundo, valorizando o protagonismo e a participação ativa do laicato na realização da missão de Cristo e da Igreja.

Considerando a pluralidade do próprio Deus, que se revela na Santíssima Trindade e se manifesta na beleza múltipla da Criação, lutamos pelo reconhecimento e pela celebração plena da diversidade de expressões, identidades, gêneros, sexualidades, raças, etnias, culturas e credos.
Primamos pelo exercício do diálogo aberto e fraterno como caminho para construir pontes, diminuir muros, ampliar horizontes e aproximar corações e mentes, favorecendo a construção de novas relações, baseadas em uma perspectiva inclusiva, solidária e não violenta.

Por amor à causa do Evangelho, inspiramo-nos na tarefa profética de anunciar a Esperança, resistir à opressão e denunciar a injustiça, e nos comprometemos a trabalhar pela construção de uma sociedade verdadeiramente justa e fraterna para todas as pessoas, sem qualquer distinção.
Nós nos abrimos para o diálogo com nossas irmãs e irmãos de outras tradições religiosas, cristãs e não-cristãs, para, em amizade fraterna e sem proselitismo, caminharmos juntos na construção de um mundo em que reinem o Amor e a Justiça, e onde todas e todos tenham espaço para serem quem são.

Seguimos em comunhão com nossas irmãs e irmãos em Cristo e conclamamos a Igreja, as comunidades de fé e a sociedade como um todo a caminhar conosco na opção preferencial pelos excluídos. Temos a certeza de que o Espírito Santo há de nos iluminar e fortalecer nessa caminhada.
Rede Nacional de Grupos Católicos LGBTI

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