Publicidade

Estado de Minas

'Quando uma greve causa agonia e atrapalha as férias'

Repórter do EM narra as agruras de quem tenta voltar para casa durante as manifestações dos caminhoneiros


postado em 26/05/2018 19:42

A greve dos caminhoneiros, em todo o país, é capaz de trazer o caos e transformar as férias de uma pessoa ou várias num verdadeiro drama, quando se tem de passar por uma aventura inesperada, trazida pela incerteza de como se deslocar ou mesmo voltar pra casa. Nesse caso, não se sabe como e nem quando vai chegar.

Para muitas pessoas, viajar pelo interior de Santa Catarina, mais precisamente para a Serra Catarinense, para sentir um frio que às vezes está zero grau ou menos ainda, como aconteceu esta semana, pode se transformar num pesadelo, quando se aproxima a hora de ir embora.

Urubici é um dos destinos mais procurados. Suas inúmeras cachoeiras, nas montanhas, mesmo sendo inverno, são chamativas. Um espetáculo raro, assim como ver inscrições rupestres, escritas nas pedras, nascentes de rios, água pura e cristalina. Ou até mesmo ver um criatório de trutas.

Mas eis que chega a hora de ir embora. Voltar para Florianópolis e tomar um avião, para chegar em casa, em Belo Horizonte. Só que existe a greve. Não é possível alugar um carro, por exemplo. O jeito é voltar de ônibus. Na véspera, compra-se a passagem. “13h15”, anuncia a vendedora do bilhete.

No dia certo, sexta-feira, uma hora antes, pois mineiro não perde o trem, chega-se à rodoviária. O tempo passa e o horário marcado para a partida do ônibus se aproxima. Mas nada dele aparecer. Uma pergunta é inevitável para a atendente da rodoviária. “Esse ônibus virá mesmo? Não está muito atrasado? A resposta é que não há atraso e que ele estará ali na hora certa.

Cinco minutos antes do horário estipulado, chega o pequeno ônibus. É, na verdade, um microônibus, semelhante ao que atende nossas favelas. Aí vem a informação. Vão ter de trocar de ônibus em Bom Retiro, uma hora de viagem adiante.

Com a garantia de que se chegará a Florianópolis, o embarque. O microônibus sai e chega a Bom Retiro. Mas onde está o outro ônibus, o que levará a Floripa? Ele demora. “Está atrasado”, diz o balconista da empresa Reunidas.

Com meia hora de atraso, o ônibus aparece. É grande, um verdadeiro ônibus de viagem, não um microônibus. Chega cheio. Veio de Lages. A informação é de que é o único que vai passar por ali na sexta-feira. O jeito é embarcar. Não existe lugar marcado. Assenta-se em qualquer lugar.

Mas basta pegar a estrada e começam as surpresas. O ônibus entra em Alfredo Wagner. Lá, entram mais quatro passageiros. Só há três assentos vagos. Um menino tem de ir para o chão. Viaja junto ao banheiro. Mais alguns quilômetros e nova parada, agora em Riacho Queimado. Entram mais seis passageiros, mas não há poltronas vagas. Eles têm se seguir em pé.

Na hora de compara a passagem, confessa um dos passageiros que ali entrou, que avisaram que seria a única maneira de conseguirem chegar à capital, pois os dois ônibus que sairiam dali foram cancelados, por falta de combustível. E assim a viagem segue.

A cada um que estica o braço e dá sinal no meio da estrada, o ônibus para. Um passageiro sobe. Outros não querem ir de pé. E assim, chega-se a Florianópolis. Mas a passagem aérea é somente no sábado, final da tarde.

Notícias dão conta, via TV e internet, de que o Aeroporto de Confins não tem mais combustível. Assim, nenhum voo decola para esse destino. Depois de dormir à noite, café da manhã e, em seguida, uma conferida no e-mail.

A notícia é de que o voo não está confirmado. Pior, embora se tente falar com a companhia aérea, o número de contato não é atendido. Um recado manda entrar no site. É o que faço. E vem a informação de que poderia alterar o meu destino, sem custo. Penso: Para onde?

E vem o recado de que você pode alterar a data do voo e recomenda que ninguém vá ao aeroporto. “Mas como, se minha casa está longe, muito longe? Nem moro onde estou. ”O jeito é ir para o aeroporto, Chega-se ao aeroporto e o melhor é ir direto para o balcão da companhia.

Ao ser perguntada sobre o voo, a atendente responde que não se sabe se o voo decolará. São 11h da manhã deste sábado. O voo para BH, às 18h55. A agonia aumenta a cada minuto. O tempo não passa. Às 16h, a empresa aceita que se despache a bagagem. Agora, é esperar.

O embarque, em princípio, seria às 18h15. Mas o avião sequer chegou a Florianópolis. E começa uma tal de alteração do horário. De 18h55, para 19h30. Aí, via celular, vem a informação de que novas informações "serão dadas às 20h". O painel mostra que o horário não é mais 19h30, mas sim 20h.

E agora há pouco outra alteração de que o voo sairá às 20h30. Mas no balcão da companhia, ninguém sabe informar nada. O certo é que não sei se eu e minha mulher conseguiremos chegar a BH ainda hoje. Torçam por mim.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade