Publicidade

Estado de Minas

Especialistas têm ressalvas e destacam papel do professor


postado em 28/04/2018 08:06

São Paulo, 28 - A utilização dos jogos de educação para avaliar o desempenho dos alunos é vista com ressalvas por especialistas da área. O tempo de uso em sala de aula e o acompanhamento de um adulto são necessários para identificar a reação das crianças durante as atividades.

“Alguns alunos podem se sentir desafiados, mas outros podem ficar frustrados ou ansiosos ao errar e, com isso, se afastar da disciplina. Também é preciso cuidado para não confundir o interesse da criança pela matéria com um possível vício pelo jogo”, diz Monica Franco, superintendente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação (Cenpec).

Ela também ressalta que, como os conteúdos dessas plataformas podem ser atualizados constantemente, o professor tem menos controle sobre o que o aluno está acessando. “O livro didático passa por uma análise de uma equipe pedagógica. No aplicativo, nem sempre é possível saber qual é abordagem dos exercícios, se os enunciados podem trazer alguma mensagem negativa, por exemplo, de preconceito”, diz.

Monica observa que, como qualquer recurso pedagógico, os jogos precisam dialogar com a proposta do colégio. “Se o conteúdo ou a abordagem dos exercícios não estiver alinhada com o que é trabalhado em sala de aula, pode provocar uma confusão na cabeça da criança.”

Olhar.

A psicopedagoga Neide Noffs, especialista em avaliação educacional, defende que a melhor forma de compreender as necessidades e dificuldades de cada criança, especialmente no início da vida escolar, é o olhar atento do professor. “Nessa fase, a criança precisa desenvolver uma relação próxima com o professor para ganhar confiança e segurança na sua capacidade de aprendizagem. Ao delegar a responsabilidade dessa proximidade a uma ferramenta digital, corre-se o risco de rotular o aluno, fazer um diagnóstico raso e prejudicial”, diz.

Ela também questiona a função de algumas informações avaliadas pelos aplicativos, como o tempo de resolução de exercícios ou leitura.

As especialistas dizem que os jogos podem ajudar a tornar o conteúdo mais atrativo, mas lembram que nos anos iniciais também é importante que as atividades sejam desenvolvidas de forma coletiva. “Deve haver um cuidado para não reduzir o aprendizado escolar apenas ao resultado acadêmico e não visar ao desenvolvimento integral da criança”, diz Neide. As informações são do jornal

O Estado de S. Paulo

.

(Isabela Palhares)

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade