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Estado de Minas

Familiares e amigos se despedem de Édison Zenóbio

Diretor-geral do Estado de Minas foi lembrado pelas pessoas presentes ontem no velório no Parque da Colina pelo seu pioneirismo no jornalismo e na publicidade


postado em 01/06/2015 06:00 / atualizado em 01/06/2015 09:02

Prêmio concedido à empresas que se destacaram no setor imobiliário em 2014, no Teatro Bradesco, leva seu nome(foto: Marcos Vieira/EM/D.A.Press - 5/11/2014)
Prêmio concedido à empresas que se destacaram no setor imobiliário em 2014, no Teatro Bradesco, leva seu nome (foto: Marcos Vieira/EM/D.A.Press - 5/11/2014)
Familiares e amigos, políticos, jornalistas e empresários dos setores publicitário e imobiliário prestaram ontem a última homenagem ao diretor-geral do Estado de Minas, Édison Zenóbio, cabecel do condomínio dos Diários Associados e presidente da Fundação Assis Chateaubriand. Internado durante uma semana no Mater Dei, ele morreu na noite de sábado, aos 84 anos, em decorrência de choque séptico e hematoma subdural agudo, depois de sofrer uma queda.

Ao longo do dia, centenas de pessoas se despediram dele no Memorial do Parque da Colina. Carisma, lealdade e simplicidade de Zenóbio, bem como seu dinamismo e olhar visionário, foram destacados por todos. O corpo foi cremado por volta das 16h, depois de uma missa.

“Foram 70 anos de trabalho. Destes, 60 dedicados aos Diários Associados, ao jornalismo e à publicidade. Uma pessoa íntegra, conhecida em Belo Horizonte e no Brasil pelas posições corretas que tomava. Nunca ouvi ninguém falar nada contra ele. Só tenho realmente que ressaltar, como filho, o que ele fez pela sociedade. Vai deixar saudade na família e no meio profissional, com certeza. Humano é a palavra que define bem o meu pai”, ressaltou o filho caçula, Eduardo Normand Zenóbio.

“É um dia muito triste. Fomos companheiros por mais de 50 anos, com contato diário e sempre ameno”, destacou o diretor-presidente do Estado de Minas, Álvaro Teixeira da Costa. Ele lembrou que, nessa longa amizade, nunca tiveram nenhum tipo de atrito. “Ele foi um pioneiro na publicidade, apaixonado pelo jornal Estado de Minas. Representa uma perda não só para os Diários Associados, mas para Minas Gerais e o Brasil.”

Para o diretor-executivo do EM, Geraldo Teixeira da Costa Neto, a dor é grande para os Diários Associados e para quem conviveu com Édison Zenóbio. “A lembrança que tenho é a mais positiva possível. Trouxe sua palavra, sua experiência para a nossa geração. E foi pioneiro no que fez. Vou me lembrar dele como a pessoa que sempre tinha a palavra certa nas horas difíceis. Ele nos incentivava a dar a volta por cima e tinha sabedoria para tomar decisões”, afirmou. “O Zenóbio era um visionário. Era uma pessoa à frente do seu tempo. E como companheiro de trabalho, tenho a dizer que foi das pessoas mais bondosas que tive a oportunidade de conhecer: estava sempre pronto a ensinar e a orientar. Não havia quem não gostasse dele”, acrescentou o diretor de publicidade do EM, Mário Neves.

Responsável pela afirmação dos segmentos publicitário e imobiliário em Minas, Zenóbio deixou muitos amigos entre empresários dos dois setores. “Zenóbio foi uma das principais personalidades da propaganda em Minas”, comentou Simão Lacerda, fundador da LF Publicidade, ao lado do filho André Vidigal Cavalcanti de Lacerda, hoje presidente da empresa e do Sindicato das Agências de Propaganda (Sinapro Minas Gerais). De outra geração, André observou que Zenóbio foi um ícone do setor da publicidade, colaborando com sua presença dinâmica. “Posso dizer que sua morte é o fim de um ciclo.”

No setor imobiliário não foi diferente, já que ele ajudou a fundar a Câmara do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI-MG). “O carisma do Zenóbio era personalístico. Falava pouco, ouvia muito. Tinha uma colocação sempre oportuna. Dava respostas inteligentes sem ofender ninguém”, enfatizou o empresário Maurício Chebly, que, com a ajuda de Édison Zenóbio, foi o fundador da CMI. Outro empresário do setor, o atual presidente da CMI, Otimar Bicalho, ressaltou a amizade com Zenóbio herdada do pai, o ex-vereador Mário Bicalho. “A convivência é antiga. Ele tinha uma relação muito forte com meu pai. Sempre dava a mão em tudo o que era preciso. Continuei muito ligado a ele. E depois acabei, pelos ciclos da vida, sendo o presidente da CMI, que ele ajudou a fundar. É uma perda muito grande para o jornalismo, para a imprensa de modo geral, e para nós”, finalizou.

POLÍTICOS A morte de Zenóbio também foi lamentada por políticos de vários partidos, entre eles o ex-governador Alberto Pinto Coelho (PP). “Ele foi uma grande figura humana, reconhecida no jornalismo e na publicidade, que fez brilhante carreira nos Diários Associados.” Pinto Coelho considera Zenóbio um ícone e acredita que ele deixará entre nós seu grande exemplo. O ex-ministro Hélio Costa (PMDB) lembrou que Zenóbio foi seu primeiro chefe quando ele iniciava a carreira como repórter do Diário da Tarde. “Foi meu primeiro grande mestre, com quem sempre tive uma relação de cordialidade.” O ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB) também considerou Zenóbio um marco da imprensa mineira. “Ele teve uma trajetória muito importante no desenvolvimento de Minas Gerais.”

No meio publicitário, costumava ser chamado de “guerreiro da propaganda”. E não havia batalhas que bastassem a Édison Zenóbio, esse mineiro de Belo Horizonte que, já na década de 90, lutava contra o então anonimato da publicidade. Naquela época em que as agências ainda engatinhavam, já descrevia a “magia que insufla os olhares” e, com ela, impulsionava a diversificação da economia mineira.

Zenóbio conseguiu dar visibilidade e corpo à publicidade em Minas(foto: Evandro Santiago/EM/D.A.Press - 20/2/78)
Zenóbio conseguiu dar visibilidade e corpo à publicidade em Minas (foto: Evandro Santiago/EM/D.A.Press - 20/2/78)
“A publicidade é um dos maiores bens da nossa época, insufla nossos olhares, dá dimensão à qualidade, valoriza a árvore, o rochedo e o monumento, a fábrica e o trabalho”, discursou há quatro anos, quando o Sindicato das Agências de Propaganda do Estado de Minas Gerais (Sinapro) homenageou a sua coluna Arte Final, pioneira na imprensa nacional e dedicada ao setor. Zenóbio a assinava todos os domingos, por mais de três décadas ininterruptas. Por ela, a publicidade que se pratica em Minas exibiu um estado que crescia, a partir do aço, viabilizando a indústria de automóveis, ao lado do agronegócio, que puxava o estado para o ranking das exportações e do setor imobiliário.

Zenóbio marcou a história da propaganda mineira. “Não aconteceu nada de relevante nos últimos 50 anos nesse setor sem que Zenóbio estivesse à frente ou, pelo menos, ao lado”, considera Fernando Campos, presidente da Solution Comunicação. Não à toa, o prêmio concedido pelo Estado de Minas às estratégias de comunicação mais eficientes para a oferta de imóveis chama-se Prêmio Édison Zenóbio.

Não foram poucas batalhas até chegar a cabecel do Condomínio Acionário das Emissoras e Diários Associados, presidente da Fundação Assis Chateaubriand e diretor-geral do Estado de Minas. Ingressou em 1953, como repórter esportivo. Ao longo de 62 anos de trajetória – esse mineiro de Belo Horizonte, de origem humilde, esbanjou firmeza, gentileza e integridade.

CARREIRA Foi secretário de redação, diretor das rádios Guarani e Mineira, diretor comercial do Diário da Tarde, gerente de circulação do Diário da Tarde e do Estado de Minas e, com a fusão das gerências comerciais dos dois jornais, passou a dirigir a publicidade. Foi então promovido a superintendente comercial e, na sequência, diretor comercial. Em 1983, tornou-se membro do Condomínio Acionário das Emissoras e Diários Associados. Recebeu dezenas de honrarias nacionais e internacionais dos legislativos municipal e estadual, do governo do estado, de sindicatos de classe e organismos internacionais.

Ao longo de sua vida, Édison Zenóbio sempre conservou a simplicidade. Era um ouvinte atento. E um conselheiro com a boa palavra pronta em bons e maus momentos. Nunca abriu mão do um happy hour. Ali desfrutava de uma cerveja ou de um vinho. Sempre com muita moderação e enorme prazer pela prosa. De tudo falava com interesse e paixão. Adorava futebol. Era cruzeirense. Mas tinha sempre na ponta da língua informações de bastidor sobre a política.

A sua fazenda, próxima à região de Esmeraldas, era mais do que um hobby para os fins de semana.  Seu carisma é lembrado por moradores locais. Zenóbio era viúvo de Marlene e deixou três filhos: Edson, Eduardo e Rodrigo.


Homenagens:

“É um dia muito triste. Fomos companheiros por mais de 50 anos, com contato diário e sempre ameno. Ele foi um pioneiro na publicidade, apaixonado pelo jornal Estado de Minas. Representa uma perda não só para os Diários Associados, mas para Minas Gerais e o Brasil”
Álvaro Teixeira da Costa,
diretor-presidente do Estado de Minas

“A lembrança que tenho é a mais positiva possível. Trouxe sua palavra, sua experiência para a nossa geração. E foi pioneiro no que fez. Vou me lembrar dele como a pessoa que sempre tinha a palavra certa nas horas difíceis. Ele nos incentivava a dar a volta por cima e tinha sabedoria para tomar decisões”
Geraldo Teixeira da Costa Neto,
diretor-executivo do EM

“Quando tive a notícia ontem (sábado), foi um jeito triste de terminar a noite. Nos anos 1950, o Zenóbio trabalhou no Diário do Comércio e foi quando eu o conheci. Era uma pessoa presente, interessada, sempre. Deixa um exemplo importante para ser seguido, no jornalismo e na publicidade”
Luiz Carlos Costa,
diretor-presidente do Diário do Comércio

“Foram mais de 40 anos de amizade e coloco Zenóbio nas categorias de amigo, parceiro e professor. Uma pessoa importante demais. A propaganda mineira deve muito a ele”

José Luiz da Silva, presidente da Associação Mineira de Propaganda

“Zenóbio era uma pessoa carinhosa, um conciliador. Tinha a sabedoria de saber quem é quem. E em épocas difíceis sabia lidar como ninguém. Tinha feeling apurado e humildade extrema. Devo muito a ele”
Hypólito Matos, corretor e proprietário da Hypólito Imóveis

“Ele era unanimidade na propaganda mineira. Conseguia fazer todo mundo se sentir amigo. Nunca deixou de estender a mão para ninguém nesse mercado. Em 31 anos que tenho essa agência, não me lembro de existir sem uma palavra de   apoio dele”
Cacá Moreno, proprietário da Agência Perfil

“Conheci ele na redação do Diário da Tarde, onde comecei como office-boy e ele era redator de esportes. Uma figura ótima, que nunca falou alto. Sempre suave, discreto e trabalhador”
Hamilton Gangana, publicitário

“Ele sempre apoiou e prestigiou esse setor e teve uma importância enorme no nosso desenvolvimento”
Paulo Solmucci Junior,
presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes

“Ele sempre se caracterizou pela doçura no trato. Era ameno e leve. Zenóbio era um camarada do bem e o diálogo com ele fazia muito bem. Ele falava bem sobre qualquer assunto e devo a ele a fineza de ter me apoiado na minha primeira eleição, para deputado federal”
Aloisio Vasconcelos, ex-presidente da Eletrobras

“Zenóbio foi um dos grandes amigos, um conselheiro, um defensor das agências de Minas. Vai deixar uma lacuna muito grande”
Álvaro Rezende, presidente da RC Comunicação, presidente do Conselho Consultivo da Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro)

“Posso encher uma página para homenageá-lo. Ele foi uma pessoa múltipla. Juntou jornalismo, esporte, publicidade, diretoria dos Associados. Teve muito mérito”
Emanuel Carneiro, presidente da Rádio Itatiaia

“Zenóbio foi um exemplo de profissional, que conduziu um jornalismo independente e, nesses anos todos à frente do Estado de Minas, traduziu bem o nosso estado no cenário nacional. Soube apoiar com muita sabedoria os diversos segmentos de nossa economia, e, no nosso caso, o setor imobiliário”
Ariano Cavalcanti, presidente da Câmara do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI-Secovi)

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