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Estado de Minas

Dilma é contra anistia para PMs

Para a presidente, os policiais grevistas que cometem atos ilícitos espalham o pânico e afrontam a democracia no país


postado em 10/02/2012 08:29

Brasília – A presidente Dilma Rousseff criticou ontem a paralisação de policiais militares na Bahia e aproveitou para mandar um recado aos PMs de todo o país, defendendo que a greve armada não é considerada pelo governo um caminho legítimo de reivindicação. Afirmando ser contra a anistia para policiais que cometeram crimes durante a paralisação, Dilma se disse “estarrecida” com as gravações telefônicas divulgadas na noite de quarta-feira, em que lideranças combinam atos de vandalismo e acertam a radicalização do movimento, inclusive, para outros estados.

“Não consideramos que seja correto instaurar o pânico, instaurar o medo, criar situações que não são aquelas compatíveis com uma democracia. Eu não considero que o aumento de homicídios na rua, queima de ônibus, entrar encapuzados em ônibus seja a forma correta de conduzir o movimento”, avaliou a presidente, durante visita às obras na Ferrovia Transnordestina, na cidade pernambucana de Parnamirim.

Dilma afirmou que não considera admissível anistiar quem comete crimes durante uma greve. “Por reivindicação, eu não acho que as pessoas têm que ser presas, nem de ser condenadas. Agora, por atos ilícitos, por crimes contra o patrimônio, crimes contra as pessoas e crimes contra a ordem pública não podem ser anistiados”, defendeu a presidente. “Se você anistiar (todos os casos), vira um país sem regra”, completou.

A presidente defendeu a postura de seu governo em relação à greve dos policiais. Segundo Dilma, o governo federal participou “ativamente”, por meio do Exército e da Força Nacional da Segurança. A intenção, de acordo com a presidente, é que os governadores sejam apoiados sempre que a ajuda for pedida. “Não podemos entrar sem a solicitação do governo. Em os governos solicitando, como ocorreu no Maranhão, no Ceará, nós teremos a presença garantida do governo federal”, afirmou.

As declarações de Dilma foram dadas pouco depois da desocupação da Assembleia Legislativa da Bahia pelos grevistas, com a prisão de dois líderes do movimento. A voz de um deles, o ex-policial Marco Prisco, aparece nas gravações citadas pela presidente em conversa com um grevista que promete queimar uma patrulha e duas carretas na estrada Rio-Bahia.

PREJUÍZOS

Ontem, a greve dos PMs na Bahia chegou ao 10º dia. À noite, a categoria decidiu, em assembleia, manter o movimento. De acordo com a Secretaria de Segurança estadual, um terço dos 31 mil PMs estão parados. Em meio ao medo de que a paralisação prejudique o carnaval, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas divulgou nota ontem segundo a qual, em 10 dias, os comerciantes baianos tiveram prejuízo estimado de R$ 400 milhões. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes também criticou a paralisação, afirmando que o resultado é “desesperador”. Em nota, a entidade se disse assustada com o “prejuízo da imagem e as terríveis consequências para o turismo e economia da cidade”.

Polícia Civil se reúne

A Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol) se reúne hoje e amanhã para uma assembleia que vai discutir a possibilidade de uma paralisação nacional. “A proposta é fazer uma greve nacional, precisamos do apoio dos representantes dos sindicatos de todo o país”, afirmou Jânio Bosco Gandra, presidente da Cobrapol. Segundo ele, a reunião que começa hoje em Brasília terá a participação de quase todos os estados – as exceções são Piauí, Rio Grande do Norte e Acre. Além de reivindicar a aprovação no Congresso da proposta de emenda constitucional conhecida como PEC 300 (que prevê um piso salarial nacional para a categoria, entre outras melhorias), a confederação cobra que governo federal e estados articulem o que ele chama de “política nacional de segurança pública”.

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