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Estado de Minas

Estudante agredida vira símbolo contra covardia


postado em 31/10/2011 18:45 / atualizado em 31/10/2011 18:51

O olhar fixo na tela do computador ao rever as cenas gravadas pelas câmeras do circuito interno de uma boate, em Ponta Negra, não esconde a revolta e indignação por causa da agressão sofrida. A estudante universitária Rhanna Cristina Umbelino Diógenes, de 19 anos, ganhou destaque na imprensa brasileira, inclusive em matéria do programa Fantástico da Rede Globo, após a divulgação na internet do vídeo que mostra a garota sendo agredida porque disse "não" ao assédio do comerciante Rômulo Lemos do Nascimento, 22, que nem conhecia. Foram apenas dois minutos, o tempo suficiente para ele fazer a abordagem e cometer a agressão. O vídeo transformou o caso em que Rhanna foi vítima numa verdadeira causa de combate à violência contra a mulher.


Estudante do 4º período do curso de Direito, Rhanna aparece não apenas como uma mulher pedindo, em um inquérito policial, a prisão do acusado - Rômulo foi indiciado na última sexta-feira -, mas está conseguindo colocar em xequeo comportamento machista e intempestivo dos homens, cada vez mais agressivo nas abordagens à mulher nas baladas e festas noturnas no país. A reportagem de O Poti/Diário de Natal foi ao encontro da garota no gabinete do seu pai, o advogado Kennedy Diógenes, de quem está recebendo todo o apoio. Calma, serena e tranquila, Rhanna falou à reportagem sobre o incidente da sexta-feira 30 de setembro e a repercussão que o caso tomou.

Depois que a agressão foi veiculada em sites nacionais, a estudante relatou que recebeu inúmeras mensagens de solidariedade de internautas de todos os cantos do país, algumas até com, histórias semelhantes à sua, mas que não tiveram a mesma postura de coragem e altivez para enfrentar a situação. Outras mensagens incentivam ela a continuar a denúncia contra o agressor para que isso sirva de exemplo à sociedade e, principalmente às famílias. Ela conta que recebeu mais de mil convites de amizade de pessoas solidárias à causa no seu perfil no Facebook. Para ela, esse retorno mostra que a sociedade ficou indignada com o caso e isso já faz parte da Justiça que deverá ser feita para punir o agressor.

De personalidade forte, mas mantendo sempre um semblante tranquilo, Rhanna demonstra segurança em cada palavra e reage diante das alfinetadas machistas que também têm sido publicadas em alguns sites na internet, tentando minimizar a agressão e dizendo que ela está se aproveitando do problema para virar celebridade. "A minha reação diante da situação foi natural, não foi planejada, não foi influenciada. Em denunciar o caso, foi apenas uma obrigação como mulher. Em exigir que ele seja punido é apenas um direito meu de cidadã. E transformar o episódio em uma causa de luta é simplesmente influência de minha formação familiar, escolar e religiosa. Acredito estar fazendo o que toda mulher deveria fazer diante de uma situação como essas", responde Rhanna.

Com o pai advogado e a mãe empresária, Rhanna ainda teve uma formação familiar disciplinar ao lado da irmã Rayani Diógenes, reforçada pela rigorosidade do próprio Colégio Marista, uma das principais escolas católicas de Natal, onde estudou a vida inteira. Além disso, o espiritismo, religião de família que frequenta desde a infância consolidou o comportamento. "Meus pais sempre me ensinaram a ter uma postura firme e nunca baixar a cabeça pra ninguém. Mas é também no curso de Direito da FARN onde tenho aprendido a reagir diante de situações adversas".


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