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Estado de Minas HIGHLAND PARK

Highland Park está entre a dor e a incompreensão após massacre de 4 de julho


05/07/2022 16:11

A cidade americana de Highland Park, nos subúrbios de Chicago, ficou dividida entre a dor e a incompreensão nesta terça-feira (5), um dia depois do massacre em pleno feriado nacional, pelo qual um homem de 22 anos foi detido e cuja motivação ainda é desconhecida.

A rua principal do subúrbio continuava bloqueada pela polícia, deixando a sensação de que o tempo tinha parado ali.

Um carrinho de bebê, um triciclo e algumas cadeiras dobráveis abandonadas no local, entre outros objetos, evidenciam o caos gerado pela fuga generalizada da multidão após os disparos de segunda-feira.

Nesta rua comercial com edifícios de tijolos vermelhos, as bandeiras americanas tremulavam ao lado de outras do orgulho LGTBQIA+.

Armado com um fuzil similar a um AR-15, Robert ("Bobby") Crimo abriu fogo contra a multidão do telhado de um edifício, quando centenas de pessoas assistiam ao tradicional desfile do Dia da Independência dos Estados Unidos. Pelo menos seis pessoas morreram e outras 26 ficaram feridas.

O subchefe da polícia local, Christopher Covelli, disse que os motivos do ataque ainda não foram determinados, mas assinalou que tudo indica que Crimo planejou sua ação "com antecedência, durante várias semanas".

"(Ele) estava vestido com roupa de mulher e os investigadores acreditam que fez isso para esconder suas tatuagens faciais e sua identidade, e facilitar sua fuga junto com as outras pessoas que fugiam do caos", acrescentou.

O médico David Baum, que participou das operações de resgate, testemunhou o horror. "A visão terrível de alguns corpos é insuportável para uma pessoa normal", explicou, ao se referir às vítimas "destripadas" ou com os corpos crivados de balas.

- 'É o meu destino' -

A senadora de Illinois Tammy Duckworth, uma ex-militar que perdeu ambas as pernas em um acidente de helicóptero no Iraque, lembrou que a última vez que ouviu "disparos de uma arma como esta em um dia 4 de julho foi no Iraque".

O suspeito, que é oriundo da região, conseguiu fugir antes de ser detido pela tarde pela polícia, que havia difundido uma foto de um jovem de rosto magro e tatuado.

Ele não disse por que abriu fogo, mas, segundo a imprensa americana, algumas de suas publicações na internet são violentas, sobre armas e tiroteios.

Segundo o jornal local Chicago Tribune, em um vídeo publicado há oito meses, um jovem, que seria Robert Crimo, aparece em um quarto e em uma sala de aula com cartazes mostrando um homem armado atirando contra pessoas. E um comentário gravado em áudio: "Preciso fazer isso", "é o meu destino. Tudo me leva a isso. Nada pode me deter, nem mesmo eu".

Em imagens publicadas no Twitter do suspeito, é possível vê-lo com uma bandeira de apoio ao ex-presidente republicano Donald Trump nas costas.

A prefeita de Highland Park, Nancy Rotering, declarou à emissora NBC que conheceu o jovem quando ele era escoteiro e que a arma usada no massacre foi comprada legalmente.

- 'Tristeza' -

"Aqui é onde precisamos refletir e perguntar o que aconteceu: como alguém ficou cheio de tanta raiva, de tanto ódio, para atacar inocentes que passavam um dia com suas famílias?", comentou Rotering.

Um drama que afundou a cidade em uma onda "incrível de tristeza e comoção". "Todos conhecem alguém que se viu afetado diretamente" pela tragédia, acrescentou a prefeita.

Paul Crimo, tio do suspeito, declarou nesta terça-feira à CNN que não tinha visto "nenhum sinal" que indicasse que seu sobrinho faria algo assim.

As comemorações do Dia da Independência foram canceladas em diversas localidades dos arredores, mas isso não impediu que mais atos violentos acontecessem.

Em Kenosha, uma pequena localidade de Wisconsin cerca de 60 km ao norte de Highland Park, um tiroteio em uma residência deixou um morto e quatro feridos, segundo a polícia local.

A tragédia trouxe à tona, mais uma vez, o debate sobre armas de fogo em um país onde circulam quase 400 milhões delas. Recentemente, o Congresso aprovou uma lei para regulamentá-las.

Quando aconteceu o massacre de 4 de julho, o país ainda estava se recuperando da comoção provocada por outros massacres a tiros recentes, um deles em uma escola de Uvalde, no Texas, que matou 21 pessoas, entre elas 19 crianças, em 24 de maio.

Segundo o site Gun Violence Archive, mais de 22.400 pessoas morreram por disparos de armas de fogo no decorrer deste ano, incluindo suicídios.

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