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Estado de Minas CALAIS

Ministros europeus se reúnem para discutir migração após naufrágio no Canal da Mancha


28/11/2021 18:54 - atualizado 28/11/2021 18:55

Quatro dias após o pior naufrágio de migrantes no Canal da Mancha, as autoridades europeias concordaram, durante uma reunião no norte da França, em "melhorar a cooperação conjunta com o Reino Unido", apesar da ausência dos britânicos, excluídos pelo governo de Paris.

O encontro ocorreu na cidade portuária de Calais, e contou com a presença dos ministros responsáveis por Migração da Alemanha, Holanda, Bélgica e França, assim como a comissária de Assuntos Internos da União Europea e as agências europeias de polícia Europol e de controle de fronteiras Frontex.

O encontro buscou "combater a imigração clandestina e as redes de traficantes de pessoas", segundo a nota de imprensa do ministro francês do Interior, Gerald Darmanin, enviada no sábado.

A bordo de frágeis barcos, quase todos os dias os migrantes tentam chegar às costas inglesas, partindo da França, fenômeno que, segundo Darmanin, atingiu uma magnitude sem precedentes desde o Brexit.

O ministro anunciou que a Frontex vai enviar um avião "dia e noite" na quarta-feira para "ajudar as polícias francesa, holandesa e belga" que vigiam a costa.

Numa declaração conjunta, os participantes "reafirmaram o seu compromisso em fazer todo o possível para combater de forma mais eficaz as redes criminosas" de tráfico humano e reconheceram a necessidade de "intensificar a cooperação conjunta com o Reino Unido".

- Reduzir a "atratividade" do Reino Unido -

O ministro francês reafirmou a vontade do seu país de "trabalhar" com "os seus amigos e aliados britânicos", mas pediu-lhes um maior envolvimento na cooperação policial, mas medidas para reduzir a "atratividade" do mercado de trabalho do Reino Unido e que sejam abertos caminhos legais para refugiados.

A reunião não contou com a parte britânica, que está na linha de frente: Darmanin anulou na sexta-feira a participação de sua homóloga Priti Patel como resposta a uma carta enviada na quinta-feira por Boris Johnson e publicada no Twitter, na qual pedia a Paris que se responsabilizasse pelos migrantes que chegaram ao Reino Unido procedentes das costas francesas.

Em uma mensagem a Patel, Darmanin afirmou estar "decepcionado" com as exigências do primeiro-ministro britânico e considerou que foi "ainda pior" que tenham sido publicadas. O presidente francês Emmanuel Macron culpou Johnson pelos seus métodos "pouco sérios".

A ministra britânica contestou no Twitter, dizendo que terá "conversas urgentes com seus homólogos europeus" na semana que vem. "A morte dessas 27 pessoas deve ser um apelo claro à cooperação", disse em artigo publicado pelo tablóide The Sun.

Segundo Patel, o trabalho conjunto de Paris e Londres "permitiu evitar mais de 20.000 travessias este ano" e efetuar mais de "400 detenções".

- Acordo "pós-Dublin" -

Em Calais, Stephan Mayer, um alto funcionário do Ministério do Interior alemão considerou "urgente" fechar "um acordo pós-Dublin entre a União Europeia e a Grã-Bretanha", em alusão ao regulamento europeu conhecido como "de Dublin", que estabelece que o primeiro país da UE em que um migrante pisa é aquele que deve processar seu pedido de asilo. Um regulamento que o Reino Unido deixou de aplicar em 1º de janeiro.

O naufrágio, que custou a vida de 27 pessoas na quarta-feira, é o pior drama migratório no Canal da Mancha, convertido em uma rota com passagens diárias de migrantes a bordo de embarcações muito frágeis.

As travessias aumentaram a partir do fechamento em 2018 do porto de Calais e do Eurotunel para os migrantes, que aproveitavam esses pontos para se esconderem a bordo de veículos e tentarem alcançar a costa britânica.

Segundo os socorristas, os migrantes tentaram cruzar o Canal a bordo de um "long boat", um barco inflável de fundo macio e dois metros de comprimento, cujo uso está aumentando desde o verão. Apenas um iraquiano e um somaliano foram resgatados com vida.

No entanto, a pressão migratória continua e a Alemanha começa a ser vista como uma base de operações para os traficantes.

O papa Francisco, por sua vez, expressou neste domingo sua "dor" pelos migrantes mortos no Canal, pelos presos na fronteira com Belarus, bem como pelos que morrem no Mediterrâneo.

Ele também apelou "às autoridades civis e militares para que o entendimento e o diálogo sejam finalmente impostos sobre qualquer tipo de instrumentalização" dos migrantes.

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