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Estado de Minas MILÁN

"Não podemos comer carvão": o lema da ativista Vanessa Nakate


04/10/2021 06:03

"Não podemos comer carvão". Este axioma virou o mantra da jovem ativista ugandesa Vanessa Nakate, que repete a mensagem ao redor do planeta em apoio às comunidades mais vulneráveis à mudança climática.

Nos corredores do centro de conferências de Milão, onde ela foi aplaudida por 400 jovens de todo mundo - reunidos para elaborar sua visão da ação climática -, a jovem de 24 anos tem o lema escrito em grandes letras no moletom produzido por sua irmã, "WE CANNOT EAT COAL" (Não podemos comer carvão).

Se ela estivesse no poder, começaria desta maneira.

"Há tantas coisas que eu gostaria de fazer, mas acho que (a primeira) seria parar de investir em projetos de combustíveis fósseis", diz ela à AFP.

"Porque não podemos comer carvão, não podemos beber petróleo, não podemos respirar gás", explica.

Para ela, a continuidade da construção de centrais elétricas de carvão, oleodutos e gasodutos é a prova de que os líderes mundiais não estão comprometidos com o clima.

"Se alguém realmente se preocupasse com a vida das comunidades e com as populações expostas aos piores impactos da crise climática, então, uma verdadeira liderança seria deter os investimentos nestes projetos", considera.

A luta contra os combustíveis fósseis e suas emissões de gases do efeito estufa seria útil para o planeta em geral, mas, sobretudo, para "os que estão na linha de frente da crise, sem serem responsáveis por ela", afirma, feliz com a chance de "amplificar" a voz das populações mais pobres.

- "A esperança me motiva" -

Para ajudar sua comunidade, esta jovem formada em Administração de Empresas iniciou em seu país, por meio de sua organização Rise Up Movement, o projeto "Vash Green Schools". Esta proposta buscará instalar painéis solares e fornos ecológicos nas escolas rurais, substituindo o uso da lenha.

Vanessa Nakate considera, no entanto, que ajudar os países em desenvolvimento a reduzirem suas emissões e se adaptarem aos efeitos devastadores da mudança climática não é suficiente. Ela deseja que os países ricos liberem fundos para compensar os prejuízos sofridos. Esta é uma reivindicação amplamente compartilhadas pelos países do hemisfério sul.

"As perdas e os danos já estão aqui. Os governantes devem reconhecer e começar a pagar por estas perdas e danos", completa a ugandesa, que se define como uma militante da "justiça climática".

"Há certas coisas, às quais você não pode se adaptar. Não é possível se adaptar à fome, nem à extinção. Tampouco às tradições perdidas, ou à história perdida", insiste a jovem, em referência às comunidades que serão expulsas de suas terras, ou que terão de abrir mão e alterar seu modo de vida.

Ao falar sobre o futuro pessoal, a jovem, que se diz emocionada com os aplausos recebidos em suas viagens ao redor do mundo, considera-o "tranquilo" em Uganda, onde passa "despercebida" e onde deseja organizar novos estudos sobre o meio ambiente.

Tudo isso sem renunciar à luta, ressalta.

"É a esperança que me motiva a continuar pedindo justiça climática", afirma Vanessa.

"Com uma visão e a imaginação de um futuro que merecemos, espero poder continuar falando em voz alta, e acredito que as coisas ficarão bem", resume.


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