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Estado de Minas KIEV

Ativista bielorrusso desaparecido é encontrado enforcado na Ucrânia


03/08/2021 15:33 - atualizado 03/08/2021 15:38

Vitali Shishov, diretor de uma ONG bielorrussa que estava desaparecido desde segunda-feira na Ucrânia, foi encontrado enforcado em Kiev, anunciou nesta terça-feira (3) a polícia, que iniciou uma investigação por "assassinato".

"O corpo do bielorrusso Vitali Shishov, desaparecido ontem em Kiev, foi encontrado hoje em um dos parques de Kiev, perto do local em que residia", afirmou o chefe da policía nacional, Igor Klymenko, em coletiva de imprensa.

A polícia abriu uma investigação por homicídio premeditado, mas também considera a possibilidade de um ato voluntário.

"Um suicídio e um assassinato disfarçado de suicídio são as principais hipóteses", disse Klymenko.

Em resposta a uma pergunta sobre as declarações de um ativista bielorrusso, segundo o qual Shishov tinha hematomas no rosto o nariz quebrado, o chefe da polícia informou apenas pequenas lesões "características de uma queda", sem mais detalhes.

A organização Casa Bielorrussa na Ucrânia (BDU) denunciou no Telegram uma operação das autoridades bielorrussas para "liquidar" uma pessoa "perigosa para o regime" do presidente Alexander Lukashenko.

"Não há dúvida de que esta é uma operação planejada pelos chekistas", termo usado para designar as forças de segurança bielorrussas, disse a ONG, cuja missão é ajudar bielorrussos que fogem para a Ucrânia para escapar da repressão em seu país.

"Vitali era vigiado e a polícia (ucraniana) havia sido informada a respeito. Fomos advertidos em várias ocasiões, tanto por fontes locais como por pessoas em Belarus, sobre (a possibilidade de) todo tipo de provocações, que poderiam chegar ao sequestro e morte", completou a ONG.

Shishov, de 26 anos, havia saído para correr por Kiev na segunda-feira, mas nunca voltou. Sua companheira, Boyena Yolud, disse à imprensa bielorrussa que não acredita em um suicídio.

- 'Tomem vossas armas!' -

Segundo a "Casa Bielorrussa", Shishov foi obrigado a fugir para a Ucrânia em 2020, depois de participar no mês de agosto de protestos contra o governo em Gomel, sul de Belarus, e de ter "expressado oposição ativa" às autoridades.

Desde então, Shishov se dedicou a ajudar seus compatriotas exilados na Ucrânia e participou da organização de protestos em Kiev contra o governo de Lukashenko, segundo o BDU.

Hoje à tarde, centenas de pessoas, principalmente bielorrussos exilados em Kiev, se reuniram em frente à embaixada deste país com retratos de Shishov e bandeiras vermelhas e brancas, características da oposição.

"Não conseguiremos nada com um processo pacífico", disse a companheira de Shishov à multidão, entre lágrimas. "Larguem seus cartazes e peguem suas armas!", declarou.

Washington e as Nações Unidas pediram a Kiev para investigar minuciosamente a morte de Shishov. O porta-voz do presidente Volodimir Zelenski afirmou que "acompanha de perto a investigação".

Vários bielorrussos fugiram do país e seguiram especialmente para Ucrânia, Polônia e Lituânia, em um período de intensa repressão da oposição ao regime de Lukashenko, que governa desde 1994 a ex-república soviética que fica no meio do caminho entre a UE e a Rússia.

"Os bielorrussos não estão seguros no exterior", disse no Telegram a líder da oposição bielorrussa no exílio, Svetlana Tikhanovskaya.

O caso de Vitali Shishov aconteceu um dia depois do incidente nos Jogos Olímpicos de Tóquio com a atleta bielorrussa Kristina Tsimanuskaya, que afirmou ter sido obrigada a abandonar a competição e foi ameaçada de ser enviada de volta ao país depois que criticou a federação de atletismo de Belarus nas redes sociais.

A velocista de 24 anos se refugiou na embaixada da Polônia, país que concedeu visto humanitário na segunda-feira.

O histórico movimento de protesto após as eleições em Belarus no ano passado foi reprimido com várias detenções, exílios forçados de opositores e o desmantelamento de muitas ONGs e meios de comunicação independentes.


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