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Estado de Minas SANTIAGO

Justiça chilena aprova indenização de 55 mil dólares a 31 dos 33 mineiros do Atacama


11/06/2021 18:27

Trinta e um dos 33 mineiros presos por 69 dias em uma mina no norte do Chile em agosto de 2010, receberão uma indenização do Estado no valor de 55 mil dólares cada um (cerca de 281 mil reais) após uma decisão judicial conhecida nesta sexta-feira (11).

A decisão, que reduziu à metade o montante aprovado em primeira instância, foi adotada pelo Tribunal de Justiça de Santiago, que comprovou "a negligência dos órgãos do Estado e a existência do dano causado e da relação causal entre eles" no acidente ocorrido em 5 de agosto de 2010.

Na ocasião, um desabamento bloqueou a entrada da mina de ouro e cobre em San José - localizada em Coiapó, no deserto do Atacama, a uns 800 km ao norte de Santiago e prendeu os 33 mineiros a uma profundidade de mais de 600 metros.

"Se os órgãos da administração do Estado tivessem cumprido a sua obrigação legal na forma em que estava previsto (...) os 33 trabalhadores não teriam acabado enterrados vivos no referido local", explica o acórdão, que ainda pode ser recorrido perante a Suprema Corte, após quase oito anos de batalha judicial.

O Conselho de Defesa do Estado (CDE) recorreu da decisão de primeira instância, estimando que os mineiros já haviam sido indenizados com pensão vitalícia (14 dos 33 por idade e patologias) e auxílio financeiro privado.

Após 69 dias, todos os mineiros foram resgatados sãos e salvos através de uma perfuração que foi realizada na mina e através da qual foi introduzida uma cápsula de metal na qual emergiram um a um, num espetacular resgate acompanhado ao vivo por milhões de pessoas no mundo.

De volta à superfície, eles foram assediados pela imprensa, muitos viajaram pelo mundo contando sua história de sobrevivência e poucos conseguiram se reinserir com sucesso no mercado do trabalho.

- Decisão tardia e imperfeita-

A decisão determina como principal responsável o Serviço Nacional de Geologia e Minas (Sernageomin), órgão do Estado que devia "zelar pelo cumprimento das normas de segurança nas obras mineiras" e "não agiu, ou o fez de forma imperfeita ou tardia".

Dois dos 33 mineiros, Luis Bustos e Juan Illanes, não ingressaram, por motivos pessoais, neste processo.

Entre os que o fizeram, está Mario Sepúlveda, 50 anos, interpretado por Antonio Banderas no filme de Hollywood sobre essa história de sobrevivência que fascinou o mundo.

"Nada vai pagar pelo que passamos, mas neste momento da vida o que eu quero é tranquilidade e paz", disse ele à AFP ao comentar a decisão do tribunal.

"Sei que há colegas que estão passando por um momento muito difícil e que nunca mais puderam trabalhar", acrescentou o mineiro após ouvir a decisão judicial que cortou pela metade o valor original solicitado pelos mineiros.

Após uma década de acidentes ocorridos no ano passado, alguns dos mineiros, entre eles Mario Sepúlveda, reconheceram se sentir abandonados pelo Estado.

O mineiro José Ojeda, que escreveu a famosa mensagem: "Estamos bem no refúgio, os 33", alertando ao mundo que estavam vivos quando muitos tinham perdido a esperança, disse que está lutando pela vida.

Com diabetes avançada que reduziu seus movimentos e usando muletas, reconheceu que em 10 anos se recuperou pouco e que ainda tem "pesadelos e sono ruim".

Ojeda esperava receber essa compensação para poder pagar alguns exames médicos.


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