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Estado de Minas WASHINGTON

Hospitais lotados nas Américas em uma pandemia que expõe desigualdades de países pobres


05/05/2021 20:20

Os hospitais das Américas estão enchendo "perigosamente" de doentes, alertou nesta quarta-feira (5) a Organização Pan-americana da Saúde (Opas) sobre a pandemia de covid, que continua expondo a desigualdade entre países no acesso às vacinas, cujas patentes os Estados Unidos defenderam liberar.

"Os hospitais da região estão perigosamente cheios", advertiu Carissa Etienne, diretora da Opas, escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), durante coletiva virtual.

Na semana passada, 40% das mortes por covid-19 no mundo ocorreram na região, onde mais países do que nunca registram balanços superiores aos mil casos diários, segundo Etienne.

Apesar dos esforços no último ano por expandir as capacidades hospitalares, em abril deste ano a ocupação média de leitos em unidades de terapia intensiva era de 80%, segundo um estudo da Opas em 16 países da região.

E embora durante grande parte da pandemia a maioria dos pacientes hospitalizados fosse de pessoas idosas com doenças pré-existentes, Etienne advertiu que as hospitalizações e as mortes de adultos jovens estão aumentando à medida que a pandemia de covid-19 acelera na região.

A América Latina e o Caribe somam mais de 934.000 dos mortos e quase 30 milhões de contágios, segundo dados da AFP.

- EUA apoia liberação de patentes -

O abismo se aprofunda entre os países ricos, onde as campanhas de vacinação permitem uma suspensão progressiva das restrições, e os mais pobres.

Diante dessa situação, o governo americano anunciou nesta quarta seu apoio a uma suspensão global das proteções das patentes para as vacinas contra a covid-19 a fim de acelerar a produção e a distribuição no mundo.

Embora os direitos de propriedade intelectual sejam importantes para as empresas, Washington "apoia a isenção destas proteções para as vacinas contra a covid-19", disse a representante comercial dos Estados Unidos, Katherine Tai, em um comunicado.

"Trata-se de uma crise sanitária mundial e as circunstâncias extraordinárias da pandemia da covid-19 exigem medidas extraordinárias", acrescentou.

A funcionária disse que Washington participa "ativamente" das negociações realizadas na Organização Mundial do Comércio (OMC) para conseguir esta isenção.

"Cumprimento os Estados Unidos por esta decisão histórica", tuitou o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que pediu para avançar "todos juntos rapidamente, em solidariedade, para aproveitar o engenho e o compromisso dos cientistas que produziram as vacinas contra a covid-19, que salvam vidas".

- Um acesso desigual -

Em um sinal da desigualdade no acesso às vacinas, o Canadá aprovou nesta quarta o uso do imunizante da Pfizer-BioNTech a partir dos 12 anos, tornando-se o primeiro país a autorizá-la para pessoas tão jovens, e os Estados Unidos se dispõem a seguir este caminho na próxima semana.

Mais de 1,2 bilhão de doses foram aplicadas em todo o mundo, mas menos de 1% foi injetada nos países menos desenvolvidos.

Depois que a OMS pediu solidariedade ao G7, os membros deste grupo (Estados Unidos, Japão, Canadá, Alemanha, França, Reino Unido e Itália) abordaram durante uma reunião em Londres a distribuição das vacinas.

Em seu comunicado, o G7 permitiu apoiar economicamente o programa de distribuição Covax "para permitir um abastecimento rápido e justo" das vacinas, embora não tenham anunciado ajuda adicional aos países pobres.

- Segunda onda na Índia -

A Índia é um dos países que pedem a suspensão temporária das patentes das vacinas à frente de outros, como a França, que defendem fazer doações aos países mais desfavorecidos.

O gigante asiático registrou 3.780 mortos e 382.000 casos de covid-19 em 24 horas, em plena segunda onda da pandemia. O coronavírus matou mais de 222.000 pessoas no país e deixou cerca de 20,3 milhões de doentes, um balanço que muitos consideram abaixo da realidade.

Esta situação é atribuída em particular às reuniões religiosas, como a enorme peregrinação hindu Kumbh Mela, que atraiu milhões de pessoas, e os comícios políticos autorizados nos últimos meses, assim como a inação do governo de Narendra Modi.

Os hospitais estão lotados e faltam abastecimento de oxigênio, medicamentos e leitos, apesar da afluência de ajuda internacional.

A Índia anunciou nesta quarta-feira 6,7 bilhões de dólares em créditos para financiar os fabricantes de vacinas, os hospitais e as empresas do setor sanitário.

A pandemia matou mais de 3,2 milhões de pessoas em todo o mundo desde que o escritório chinês da OMS informou sobre o surto de covid-19 em dezembro de 2019, segundo contagem da AFP, realizado com base em dados oficiais.


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