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Estado de Minas BRUXELAS

Retirada da Otan do Afeganistão 'começou' de forma 'coordenada'


29/04/2021 14:09 - atualizado 29/04/2021 14:14

A retirada das tropas que a Otan mantém no Afeganistão começou de forma coordenada e com atenção especial às medidas de segurança, declarou nesta quinta-feira (29) um funcionário da aliança militar transatlântica.

"A retirada começou. Será um processo ordenado, coordenado e deliberado. A segurança das tropas será uma prioridade absoluta em todas as fases", disse a fonte.

Neste processo de retirada das tropas do território afegão, "estamos tomando todas as medidas necessárias para manter nosso pessoal fora de perigo".

Qualquer eventual ataque do Talibã contra as tropas da Otan "será enfrentado com força", advertiu a fonte.

O processo de retirada deve ser concluído em "alguns meses", indicou.

Em 14 de abril, os países da Otan concordaram em iniciar a retirada e divulgaram uma nota na qual reconheciam "que não há solução militar para os desafios que o Afeganistão enfrenta".

"Fomos juntos ao Afeganistão, adaptamos juntos nossa posição e estamos unidos para nos retirarmos juntos", disse, na ocasião, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, acrescentando que "não é uma decisão fácil e inclui riscos".

Há uma semana, o governo alemão anunciou que pretendia retirar suas tropas do contingente da Otan por volta de 4 de julho.

Por sua vez, o governo dos Estados Unidos já anunciou sua decisão de concluir a retirada de suas tropas até 11 de setembro, dia do 20º aniversários dos ataques em território americano que motivaram a intervenção no Afeganistão.

Os países da Otan notaram no mês passado que a retirada das tropas da aliança militar não representa uma ruptura com o Afeganistão.

"A retirada de nossas tropas não significa encerrar nosso relacionamento com o Afeganistão. Em vez disso, é o início de um novo capítulo", observaram eles em uma nota.

O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump selou um acordo com os insurgentes do Talibã para a retirada das tropas até 1º de maio.

No entanto, na ausência de avanços nas negociações de paz entre o Talibã e o governo central afegão, a aliança militar transatlântica adiou a data de retirada.

Os Estados Unidos mantêm cerca de 2.500 soldados no Afeganistão. Entre os europeus, a Alemanha tem 1.300 soldados, a Itália 895 e o Reino Unido 750.

A complexidade da operação de retirada de tropas, após duas décadas de presença no Afeganistão, é tal que os Estados Unidos anunciaram que enviariam forças adicionais para a região.

Assim, Washington enviou dois bombardeiros B-52 adicionais para a região do Golfo Pérsico e expandiu a missão do porta-aviões USS Eisehower, para proteger a saída das tropas do Afeganistão.

Esses B-52s podem carregar armas nucleares e geralmente permanece estacionados no Catar, onde os militares dos EUA têm uma grande base.

Na quarta-feira, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos, o general Mark Milley, admitiu que é difícil prever o futuro do Afeganistão após a saída das tropas da Otan.

"Na análise do pior cenário, teremos o colapso do governo e o colapso militar. Teremos uma guerra civil e a catástrofe humanitária que a acompanha", disse ele.


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