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Estado de Minas LA PAZ

Ex-presidente da Bolívia é transferida para outra prisão em La Paz


20/03/2021 11:24 - atualizado 20/03/2021 11:26

A ex-presidente interina da Bolívia Jeanine Áñez, presa por um suposto golpe de Estado em 2019 contra o ex-presidente Evo Morales, foi transferida na madrugada deste sábado (20) para outra prisão feminina em La Paz, segundo informou a detida.

"Eles me tiraram dizendo que eu iria para a Clínica do Sul", declarou a ex-presidente à imprensa ao chegar ao presídio feminino de Miraflores, onde continuará cumprindo os quatro meses de prisão preventiva decretados enquanto dura a investigação.

Añez foi transferida em uma ambulância para a prisão, após dois dias alegando problemas de saúde.

A Direção-Geral do Regime Penitenciário informou em comunicado que a mudança para o Centro Penitenciário Feminino de Miraflores se deu porque esse estabelecimento "dispõe de instalações, equipamentos e pessoal médico que podem garantir o tratamento específico e recomendado exigido pela reclusa".

A Justiça boliviana havia ordenado na sexta-feira à tarde sua transferência para uma clínica, depois que apresentou problemas de saúde.

Três juízes de La Paz, liderados por Gonzalo Montaño, decidiram em audiência durante a tarde pela "saída judicial" da ex-chefe de Estado até uma clínica, "para a sua correspondente avaliação médica por especialistas em cardiologia e a realização de exames laboratoriais, a fim de zelar por sua vida e saúde". Também determinaram que a transferência fosse feita "com escolta e outras medidas de segurança", a cargo da direção governamental de Regime Penitenciário.

À noite, no entanto, Carolina Ribera, filha de Jeanine, denunciou que o governo não cumpria a decisão judicial.

Em um vídeo postado no Twitter, Ribera destacou que a recusa em transferir Áñez para um centro médico constituía um "atentado contra a vida" da ex-presidente interina.

"Isso é um abuso, uma injustiça e estão atacando a vida de minha mãe, que precisa urgentemente de cuidados médicos"", disse a filha de Áñez.

Jeanine deu entrada no presídio feminino da cidade de La Paz no domingo, depois de ter sido detida na véspera na cidade de Trinidad, capital do departamento amazônico de Beni (nordeste), em uma operação policial. Horas antes, seus ex-ministros da Justiça e Energia também foram presos.

O nome de Jeanine Áñez, que deixou o poder em novembro de 2020, aparece em uma denúncia por revolta, terrorismo e conspiração que a ex-deputada do Movimento ao Socialismo (MAS) Lidia Patty, fez em dezembro contra o líder cívico da rica região de Santa Cruz, o direitista Luis Fernando Camacho, eleito governador daquele departamento nas eleições locais recentes. Há outros três ex-ministros com mandado de prisão, ex-chefes militares, ex-chefes de polícia e outros civis.

A denúncia se refere aos fatos que levaram à renúncia de Morales à presidência em novembro de 2019, após 14 anos no poder, ocorrida em meio a violentos protestos promovidos por opositores, que denunciaram que o então presidente havia cometido fraude nas eleições do mês anterior, quando ansiava por um quarto mandato de cinco anos, até 2025.

O presidente boliviano, Luis Arce, afilhado político de Morales, negou as acusações opositoras de que a situação é movida por uma sede de vingança e ódio contra seus adversários políticos. Durante uma reunião pública de mulheres camponesas, alinhadas ao governo, disse: "O ódio não nos move, a vingança não nos move, (...) O que nos move é o afã inquebrantável de justiça no país".

O governo nega desde o fim de semana passado que esteja manipulando procuradores e juízes para apresentar a denúncia da ex-parlamentar Patty e insiste em que deseja que os fatos ocorridos no fim de 2019 sejam esclarecidos. Também insiste em que a saída de Morales do governo fez parte de um complô da direita.


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