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Estado de Minas WASHINGTON

Economia americana viveu em 2020 seu pior ano desde 1946


28/01/2021 13:08

A economia dos Estados Unidos teve seu pior ano desde o fim da Segunda Guerra Mundial em 2020, mas a atual campanha de vacinação e o último plano de apoio à economia dão esperança de uma recuperação em 2021.

A crise da covid-19 causou uma contração do PIB de 3,5% em 2019, de acordo com estimativa preliminar do Departamento de Comércio divulgada nesta quinta-feira (28).

Isso é mais do que o esperado pelo Fed, o banco central americano, que previa uma contração de 2,5%, como em 2009, durante a Grande Recessão que se seguiu à crise financeira.

O crescimento nos Estados Unidos foi severamente penalizado pela segunda onda do vírus a partir do outono (boreal), após uma recuperação no verão. Os estados tiveram que adotar novas medidas restritivas que atrapalharam a atividade.

"A contração do PIB em 2020 refletiu a queda (nos gastos do consumidor), nas exportações, nos investimentos (privados e públicos), que foi parcialmente compensada pelos gastos do governo federal", detalha o Departamento de Comércio, especificando que "as importações diminuíram".

Os gastos das famílias, que respondem por quase três quartos da economia dos EUA, caíram 3,9% em relação ao ano anterior.

Paradoxalmente, os números mostram "o maior aumento na renda pessoal disponível desde 1984 (+ 6%)", observa em um tuíte o economista Jason Furman, professor de Harvard e ex-membro do comitê econômico da Casa Branca na presidência de Barack Obama.

O gigantesco plano de estímulo de 2,2 trilhões de dólares adotado em março permitiu que os americanos enchessem suas carteiras no início da crise. Mas o término das medidas de ajuda obrigou-os a usar essa economia para despesas básicas.

As desigualdades, já fortes no país, se agravaram nos últimos meses. O novo presidente, Joe Biden, e sua secretária do Tesouro, Janet Yellen, prometeram enfrentar o problema e torná-lo uma prioridade.

Após dez anos de crescimento, a maior economia do mundo afundou na recessão, e é preciso voltar a 1946 para uma contração do PIB mais forte do que a de 2020. A desmobilização após a Segunda Guerra Mundial interrompeu abruptamente a fabricação de armamentos em solo americano.

Em 2019, o crescimento foi de 2,1%, ritmo já desacelerado ante 2,9% em 2018. Essa boa saúde econômica foi um dos argumentos de campanha do ex-presidente Donald Trump para sua reeleição.

- "Mini-boom" econômico -

Os danos causados pela covid-19 no mercado de trabalho continuam extremamente importantes: 18,3 milhões de pessoas receberam seguro-desemprego no início de janeiro, ou 2,3 milhões a mais que na semana anterior.

O número total de beneficiários do auxílio aumentou acentuadamente graças à extensão da ajuda decidida pelo Congresso, segundo dados divulgados nesta quinta pelo Departamento do Trabalho.

O presidente do Fed, Jerome Powell, chegou a alertar na quarta-feira que a taxa real de desemprego está em torno de 10%, longe dos 6,7% oficiais.

Milhares de pequenas empresas faliram, enquanto as restantes enfrentam problemas de fluxo de caixa.

Mas depois de um inverno que promete ser ainda rigoroso, a primavera e o verão deverão ser radiantes, quando grande parte da população já estiver vacinada e a atividade econômica retomar aos poucos.

Os economistas esperam um mini-boom e, para 2021, o FMI aposta num crescimento de 5,1%, o maior nível desde 1984.

Joe Biden apresentou um resgate de US$ 1,9 trilhão que, se aprovado pelo Congresso, poderia gerar 5% a mais de crescimento em três anos.

O Fed espera crescimento de 4,2% em 2021 e 3,2% em 2022.

No quarto trimestre, a economia registrou uma recuperação com um crescimento de 4% em projeção anual, segundo o índice anual utilizado nos Estados Unidos.

Esses números estão abaixo das expectativas dos analistas que esperavam um crescimento de 4,4%.

Em comparação ao terceiro trimestre do ano, o crescimento entre outubro e dezembro foi de 1%.


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