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Estado de Minas

Extrema-direita alemã organiza congresso polêmico em plena pandemia


28/11/2020 16:55

As divisões afloraram neste sábado (28) no partido da extrema direita alemão Alternativa para Alemanha (AfD, especialmente sobre a estratégia a seguir ante o movimento antimáscaras, no primeiro dia de um congresso com várias centenas de delegados, reunidos em plena pandemia.

A maioria dos 600 participantes respeitou as medidas sanitárias - respeito ao distanciamento e uso de máscaras -, condição para organizar o congresso em Kalkar, em Renânia do Norte-Westfália.

O encontro, que se estenderá até o domingo, se celebra em uma antiga usina nuclear que nunca entrou em funcionamento e que foi transformada em parque de diversões e complexo hoteleiro.

O co-presidente do AfD, Tino Chrupalla, denunciou desde o início a "política de estado de emergência" do governo de Angela Merkel contra o coronavírus.

"Estão destruindo vidas, já está acontecendo uma onda de falências (...) Muitas pessoas estão perdendo seus empregos", disse.

Segundo a polícia, 500 pessoas protestaram pacificamente contra o congresso, depois de uma convocação do grupo "Levanta-te contra o racismo", formado por ONGs, partidos e sindicatos.

- "Não é inteligente" -

O outro presidente do partido, Jörg Meuthen, considerado moderado, criticou em sua fala que membros do partido tinham se mostrado próximos aos detratores das medidas para conter a covid-19. E também condenou a linguagem cada vez mais radical contra o governo.

"Não é inteligente falar de ditadura. Não estamos em uma ditadura, se não, não poderíamos organizar este congresso", disse, em alusão a declarações do presidente de honra do AfD, Alexander Gauland.

Gauland acusou recentemente o Executivo de usar "propaganda de guerra" para impor sua "ditadura do coronavírus".

O AfD "nunca esteve tão em perigo" e recorrer a uma retórica "agressiva e grosseira" só fará os eleitores se distanciarem do partido, afirmou Meuthen, entre aplausos e vaias dos presentes.

À margem do congresso, Gauland respondeu a estas críticas, acusando-o de querer fomentar uma "cisão" no partido.

Criado há sete anos, o AfD construiu seu sucesso com base em temores dos alemães sobre as centenas de milhares de migrantes que chegaram à Alemanha a partir de 2015.

Mas, a um ano das eleições legislativas, o primeiro partido da oposição alemã está mais debilitado do que nunca por suas divisões internas.

Segundo consulta do Instituto Forsa, publicada neste sábado, teria apenas 7% das intenções de voto, seu pior resultado desde junho de 2017 e longe dos 15% que teve no auge da crise migratória.

A organização do congresso do AfD suscitou muitas críticas, sobretudo quando a Alemanha acaba de decidir reduzir drasticamente os encontros sociais devido à expansão da pandemia.

O partido conservador de Angela Merkel, que deve escolher um novo líder e potencial candidato à chancelaria, decidiu celebrar seu próprio congresso, previsto para o começo de dezembro, devido à crise sanitária.

E o partido ecologista celebrou sua própria videoconferência no fim de semana passado.

A Alemanha superou nesta sexta o milhão de casos do novo coronavírus desde o início da pandemia, com quase 16.000 mortos, segundo dados do Instituto Robert Koch de vigilância sanitária.


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