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Estado de Minas

Combates em Nagorno-Karabakh continuam apesar da trégua


13/10/2020 11:19

As forças separatistas armênias e o Exército azerbaijano seguiam os combates nesta terça-feira (13), em vários setores do "front" em Nagorno-Karabakh, sem respeitar a trégua humanitária pelo quarto dia consecutivo, em um conflito que, segundo a Cruz Vermelha, "afeta centenas de milhares de pessoas".

Os dois lados trocaram acusações a respeito das hostilidades, que já causaram 600 mortos, sendo 67 civis. Estes números são parciais, visto que o Azerbaijão não divulga suas perdas militares.

Os separatistas do enclave acusam o Exército rival de ter lançado uma tripla ofensiva no sul, no norte e no nordeste da autoproclamada república.

Baku disse "respeitar o cessar-fogo", denunciando que o inimigo armênio está atacando os distritos azerbaijanos de Goranboy, Terter e Agdam.

Alcançada com mediação da Rússia, a trégua deveria ter entrado em vigor no sábado (10), pelo menos para permitir a troca de detentos e de combatentes falecidos. Até agora não foi respeitada.

Nagorno-Karabakh é um território azerbaijano povoado, majoritariamente, por armênios que proclamaram sua independência em 1991. Essa mudança de status provocou uma sangrenta guerra com 30.000 mortos.

Desde então, Baku acusa a Armênia de ocupar seu território. Com frequência, explodem confrontos entre os dois rivais. Os combates atuais, que começaram em 27 de setembro, são os mais graves desde 1994.

Após quase três décadas de estancamento diplomático do conflito, o presidente azerbaijano, Ilham Aliev, prometeu que retomaria o controle deste território, mesmo que à força.

A comunidade internacional teme que o conflito se internacionalize. A Turquia estimula o Azerbaijão a passar para a ofensiva, e a Rússia tem um tratado militar com a Armênia.

Ancara é acusada de ter enviado combatentes pró-turcos da Síria para lutar junto com os azerbaijanos, o que o governo nega.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, pediu nesta terça-feira à Armênia e Azerbaijão que cumpram o cessar-fogo acordado.

"Estados Unidos pedem ao Azerbaijão e à Armênia que implementem seus compromissos com um cessar-fogo acordado e que deixem de atacar áreas civis, como Ganja e Stepanakert", escreveu Pompeo no Twitter.

"Lamentamos a perda de vidas humanas e continuamos comprometidos com uma solução pacífica".

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), 119 combatentes sírios de facções pró-turcas morreram desde o final de setembro, do total de 1.450 estacionados em Karabakh.

Segundo o diretor do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) na Eurásia, Martin Schuepp, centenas de milhares de pessoas na região estão afetadas pelo conflito. Estima-se, segundo ele, que "ao menos dezenas de milhares de pessoas precisarão de apoio durante os próximos meses".

O diretor acrescentou que a organização, presente na região desde 1992, também aumentará suas atividades, apesar de não poder acessar todas as áreas afetadas, devido à insegurança.

O CICV também se oferece para ser intermediário na troca de prisioneiros, ou na repatriação dos restos das vítimas, disse o diretor, que esclareceu que as discussões sobre este assunto ainda não foram concluídas.

- Aumento de casos de covid -

Ao mesmo tempo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que os confrontos entre as forças separatistas armênias de Nagorno-Karabakh e o exército azerbaijano aumentaram os casos de coronavírus.

"A covid-19 não respeita fronteiras nem linhas de frente e se beneficia de qualquer relaxamento da vigilância, de qualquer crise que desvie nossa atenção do esforço global para deter sua passagem mortal", disse o porta-voz da OMS, Tarik Khasarevic, em coletiva de imprensa em Genebra.

"A mobilização de tropas, o deslocamento de populações. Tudo isso ajuda para que o vírus se espalhe", acrescentou.

Os casos de coronavírus dispararam na Armênia e no Azerbaijão, onde a OMS está intensificando suas operações para satisfazer as crescentes necessidades de saúde.

Na Armênia, a quantidade de novos casos dobrou em duas semanas, enquanto no Azerbaijão aumentou 80% na semana passada, afirmou Khasarevic.

Essa explosão de casos aumenta a preocupação, já que a continuação das hostilidades entre as partes está afetando os sistemas de saúde, essenciais para controlar a epidemia.


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