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Estado de Minas

Expatriados se mobilizam para ajudar Líbano após explosão


06/08/2020 00:25

Os expatriados do Líbano, que quase triplicam a população do pequeno país de 5 milhões de habitantes, se mobilizaram para colaborar após a explosão que destruiu boa parte da capital Beirute.

Os expatriados, a maioria vivendo nos Estados Unidos e na América Latina, se apressaram a enviar dinheiro para os entes queridos que perderam suas casas ou ficaram feridos na explosão de terça-feira, que deixou pelo menos 113 mortos e milhares de feridos, enquanto outros criam fundos de arrecadação para combater a tragédia.

"Fiquei no telefone a manhã inteira com nossos sócios para formar uma aliança para um fundo de emergência", declarou George Akiki, fundador e CEO da LebNet, uma organização sem fins lucrativos no Vale do Silício, na Califórnia, que ajuda profissionais libaneses nos Estados Unidos e no Canadá.

"Todos, tanto os libaneses como os não libaneses, querem ajudar".

Akiki disse que seu grupo, junto com outras organizações como a SEAL e a Life Lebanon, criaram o Fundo de Emergência de Beirute 2020, que arrecadará dinheiro e o canalizará para organizações de confiança e de boa reputação no Líbano.

- "Tentando ajudar" -

Outros ajudam enviando remessas individualmente ou abrindo contas em programas de arrecadação na internet.

"Minha esposa Hala e eu mandaremos pelo menos 10.000 dólares em doações e mais tarde proporcionaremos mais ajuda para a reconstrução e outros projetos", declarou à AFP Habib Haddad, um empresário do setor tecnológico e membro da LebNet, com sede em Boston.

Antes da tragédia, o Líbano já sofria com uma grave crise econômica e política que faz mais da metade da população viver na pobreza e depender em grande parte de remessas enviadas pelos expatriados.

"Estamos pedindo aos imigrantes libaneses de todo o mundo que tentem ajudar", declarou Maroun Daccache, proprietário de um restaurante de comida libanesa em São Paulo. O Brasil tem cerca de 7 milhões de descendentes libaneses no país.

"Estou tentando ajudar com alguma coisa, mas o negócio aqui não está muito próspero devido à pandemia. Mesmo assim, estamos bem melhor do que lá".

O ex-presidente Michel Temer e o empresário Carlos Ghosn, ex-presidente da Nissan, são exemplos de brasileiros com ascendência libanesa.

- "Uma gota no oceano" -

Os expatriados costumam visitar o Líbano todos os anos, o que injeta dinheiro na economia local.

Contudo, em 2020, as viagens ao país natal diminuíram drasticamente devido à pandemia da COVID-19 e muitos se tornaram céticos em enviar dinheiro ou ajuda a um país assolado por corrupção em todos os níveis da sociedade.

"As pessoas estão indignadas pela má gestão do país e querem ajudar, mas ninguém confia em quem está no poder", revelou Najib Khoury-Haddad, um empresário de São Francisco.

"Eu ouvi que o governo criou um fundo de ajuda, mas quem é que vai confiar neles?", completou.

Ghislaine Khairalla, de 55 anos e residente de Washington, disse que existe a ideia de juntar uma família em necessidade de Beirute com outra fora do país para que a ajuda viaje de forma direta e segura.

"Nós (os expatriados) somos o fluxo sanguíneo financeiro, especialmente porque a economia não vai se recuperar tão cedo", explicou Khairalla, cujo irmão perdeu a casa na explosão. "Estamos fisicamente fora do Líbano, mas nossos corações estão lá".

Nayla Habib, uma libano-canadense que vive em Montreal, afirmou que pretende ajudar em tudo que for possível e se mostrou indignada pelos relatórios de que a explosão foi causada por mais de 2.700 toneladas de nitrato de amônio armazenadas no porto de Beirute, situado no coração de uma cidade densamente habitada.

"Meu Deus, o estado de nosso país é terrível e comovente,", declarou Habib à AFP. "Eu ajudei antes da explosão uma mulher que ajuda a alimentar os pobres e voltarei a ajudar. O que dou é como uma gota no oceano, mas é necessário".


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