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Estado de Minas

Resultados das presidenciais geram incertezas na Polônia


postado em 12/07/2020 19:25

A diferença apertada entre o presidente conservador polonês, Andrzej Duda, e seu adversário pró-europeu, Rafal Trzaskowski, revelada por uma pesquisa de boca-de-urna, gerou incertezas neste domingo (12) na Polônia, à espera dos dados oficiais do segundo turno das eleições presidenciais.

De acordo com uma consulta do instituto Ipsos, no fechamento das seções eleitorais, Duda teria 50,4% dos votos sobre o Trzaskowski, com 49,6%. A margem de erro da pesquisa, de 2%, aumenta dramaticidade à consulta.

As seções eleitorais abriram às 02h de Brasília e fecharam às 16h em um dia de votação marcado por uma taxa de participação muito elevada, de 68,9%.

No primeiro turno, em 28 de junho, Duda recebeu 43,5% dos votos e Trzaskowski 30,4%.

"Estou contente com a minha vitória, embora por enquanto seja apenas uma pesquisa", disse o presidente aos jornalistas ao lado de sua esposa e de sua filha, enquanto agitava uma bandeira polonesa.

Já Trzaskowski disse a seus simpatizantes que "o resultado provavelmente nunca foi sido tão apertado na história da Polônia".

"Nunca sentimos tanto o poder do nosso voto", acrescentou.

O resultado será decisivo para o futuro do governo conservador nacionalista do partido Direito e Justiça (PiS), acusado pelos adversários de reduzir as liberdades democráticas conquistadas há três décadas, após a queda do comunismo.

Trzaskowski, prefeito de Varsóvia, pertence ao principal partido de oposição centrista, o Plataforma Cívica (PO).

A eleição aconteceria em maio, quando Duda era o líder nas pesquisas, mas teve que ser adiada pela pandemia de coronavírus.

O apoio a Duda caiu consideravelmente desde então, também pelas consequências da pandemia, que levaram a Polônia a sua primeira recessão desde a queda do regime comunista.

Analistas apontam que o resultado do 2º turno pode ser apertado e gerar recursos nos tribunais.

A consultoria Eurasia Group destacou que Trzaskowski teve que mobilizar diferentes tipos de eleitores contra Duda, mas acredita que a vitória provavelmente será do atual presidente, por pequena margem.

Após votar, Wojciech, um operário da construção civil de 59 anos, disse ter votado em Duda por seus vínculos estreitos com o presidente americano, Donald Trump, "o que significa que contaremos com os Estados Unidos para nos defender" e "porque estou de acordo" com a proibição da adoção a casais do mesmo sexo.

Outros votaram em Trzaskowski esperando melhorar as relações com a União Europeia.

"É importante para nós ter uma boa cooperação com nossos parceiros europeus", disse a aposentada Danuta Lutecka, que disse esperar que uma troca de presidente gere "menos ódio e divisões" entre os poloneses.

Longas filas se formaram em frente a dois centros de votação, com respeito ao distanciamento social por causa do novo coronavírus.

- Chave para o futuro da Polônia -

O presidente Duda, que prometeu defender as ajudas sociais adotadas pelo PiS, fez uma campanha polêmica, atacando os direitos das pessoas LGTB e com a rejeição da ideia de indenizar os judeus pelos bens espoliados pelos nazistas e durante o regime comunista.

"Estas eleições são um confronto de duas visões da Polônia, entre branco e vermelho e arco-íris", disse o ministro da Justiça, Zbigniew Ziobro, em referência à bandeira nacional e o símbolo da comunidade LGTB.

O governo e os meios de comunicação públicos, que fazem campanha para Duda, atacaram um tabloide que pertence ao grupo alemão Ringier Axel Springer que criticou o presidente por indultar um pedófilo.

Trzaskowski se declarou favorável às uniões civis entre pessoas do mesmo sexo.

Caso vença, Trzaskowski prometeu anular as polêmicas reformas do sistema judicial, que levaram a Polônia a enfrentar o restante da União Europeia.

A vitória de Trzaskowski poderia marcar o começo do fim da influência do PiS na política polonesa. Caso contrário, a vitória de Duda reforçaria o poder do partido.

"Estas eleições vão determinar o futuro da Polônia", disse Adam Strzembosz, ex-presidente do Tribunal Supremo e respeitado professor de direito.


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