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Estado de Minas

Pandemia avança na América Latina enquanto o mundo tenta retomar a vida normal


postado em 31/05/2020 17:55

A célebre Esplanada das Mesquitas em Jerusalém reabriu as portas neste domingo, em um novo exemplo do lento retorno à normalidade no mundo, algo muito distante para a América Latina, atual epicentro da pandemia, que superou a barreira de 50.000 mortes provocadas pelo coronavírus, quase 29.000 delas no Brasil.

Mais de seis milhões de pessoas foram infectadas e mais de 370.000 (balanço da AFP) morreram no mundo vítimas da COVID-19, que provoca profundas divisões na comunidade internacional sobre a maneira como enfrentar a pandemia.

A crise foi demonstrada pela decisão do governo dos Estados Unidos de romper com a Organização Mundial da Saúde (OMS), acusada por Washington de ser muito indulgente com a China, onde o coronavírus foi detectado em dezembro.

Os especialistas projetam semanas muito duras para a América Latina. O Brasil, com 28.834 vítimas fatais, se tornou o quarto país com mais mortes, atrás dos Estados Unidos (103.472), Grã-Bretanha (38.161) e Itália (33.229).

O país, de 210 milhões de habitantes, registra ainda o segundo maior número de contágios confirmados no planeta: 498.444 casos.

Os Estados Unidos anunciaram neste domingo o envio de dois milhões de doses de hidroxicloroquina ao Brasil, apesar do medicamento ser controverso no tratamento da COVID-19. Segundo a Casa Branca, a hidroxicloroquina "será usada como profilática para proteger enfermeiros, médicos e profissionais de saúde do vírus no Brasil. Também será usada como terapêutica para tratar brasileiros infectados".

A situação no Brasil é ainda mais complicada pela decisão do presidente Jair Bolsonaro de expressar oposição ao confinamento decretado por vários governadores e prefeitos, seguindo as recomendações da OMS e da comunidade científica internacional.

Bolsonaro defende, inclusive, o retorno do futebol profissional no Brasil, paralisado desde março.

Neste domingo, Bolsonaro voltou para cumprimentar centenas de apoiadores aglomerados em frente ao palácio do governo em Brasília, evitando tocar nas mãos de seus seguidores, mas sem usar máscara.

Mas o Brasil não é o único foco na América Latina. A pandemia também avança com força no México, com 9.779 mortes em uma população de 120 milhões, e no Peru, com 4.371 vítimas fatais para 33 milhões de habitantes e que no sábado ultrapassou a barreira de 150.000 casos confirmados.

O Chile ultrapassou as 1.000 mortes neste domingo e atingiu 100.000 casos. O país de 18 milhões de habitantes sofreu uma mudança repentina no cenário da doença nas últimas duas semanas, segundo um relatório oficial recente.

- Esplanada das Mesquitas reabre -

O papa Francisco fez sua oração dominical pela primeira vez em três meses diante dos fiéis reunidos na praça de São Pedro, durante a qual expressou preocupação com os povos indígenas da Amazônia "particularmente vulneráveis" à pandemia de COVID-19.

O pontífice também fez um pedido para que ninguém no mundo fique sem atendimento de saúde.

Em Jerusalém, a Esplanada das Mesquitas, que abriga o Domo da Rocha e a mesquita de Al-Aqsa, reabriu as portas neste domingo após dois meses de fechamento devido ao coronavírus, com fiéis de máscara e fitas no chão para marcar o distanciamento necessário.

A reabertura se une a da Basílica da Natividade na terça-feira em Belém, local de nascimento de Jesus de acordo com a tradição cristã, localizada na Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel. Porém, a basílica do Santo Sepulcro de Jerusalém, outro local emblemático, permanece fechada.

O Irã, o país do Oriente Médio mais afetado pela pandemia, anunciou neste domingo que o número de infecções ultrapassava 150.000, num momento em que a República Islâmica registrou uma aceleração da propagação do vírus, que também deixou 7.797 mortos, 63 dos quais nas últimas 24 horas.

No sábado, o presidente Hassan Rohani anunciou a retomada das orações coletivas nas mesquitas, que foram fechando progressivamente desde que os primeiros casos foram detectados no país em fevereiro.

- Desconfinamento gradual na Europa -

O retorno à normalidade após um longo período de confinamento é observado de maneira mais intensa na Europa, que registra quase metade das mortes no mundo por coronavírus (177.595) e dois milhões de casos declarados, mas donde a pandemia parece finalmente sob controle.

Muitos países europeus avançam com a flexibilização do confinamento por fases, com uma possível reabertura das fronteiras internas da UE em 15 de junho.

A França reabriu parques e jardins no fim de semana. Bares e restaurantes retomarão as atividades na terça-feira, mas em Paris, região considerada de risco, a medida acontecerá com algumas restrições.

A chegada do verão no hemisfério norte e a necessidade de retomar as atividades no setor do turismo, crucial para vários países europeus, marca o ritmo do desconfinamento.

A Espanha permitirá a entrada de turistas alemães, franceses e escandinavos a partir da segunda quinzena de junho em um projeto-piloto nas Ilhas Baleares e Canárias.

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, disse neste domingo que espera que o país conclua seu processo de abertura em 1º de julho, anunciando uma última extensão do estado de emergência que permite limitar a mobilidade, até 21 de junho.

A Grécia, muito dependente do turismo, autorizará os voos procedentes da UE a partir de 15 de junho. Os passageiros destes aviões não terão que passar por uma quarentena, exceto aqueles procedentes das regiões mais afetadas pela COVID-19 nos Estados europeus.

- Divisões -

A pandemia revelou as profundas divisões na comunidade internacional e provocou fortes tensões geopolíticas.

A União Europeia, que pediu solidariedade ante a progressão do novo coronavírus, pediu no sábado ao presidente americano Donald Trump que reconsidere a decisão de sair da OMS.

Com 103.758 mortos e 1.769.776 casos, Estados Unidos lideram com folga a lista de países mais afetados do mundo. Trump, que disputará a reeleição em novembro, enfrenta uma gigantesca crise de saúde, assim como os protestos contra a violência policial e o racismo após a morte de um negro em uma ação da polícia em Minneapolis.

Para mostrar a vontade de utilizar o peso de seu país no cenário internacional, Trump anunciou no sábado o adiamento da reunião de cúpula do G7 prevista para junho e que convidará mais países para o encontro. "Não acredito que o G7 represente corretamente o que acontece no mundo. É um grupo de países muito obsoleto", afirmou.

As medidas de confinamento aplicadas em grande parte do mundo provocaram protestos em vários países e aumentam as pressões para que os governos autorizem a reabertura de setores vitais da economia, para enfrentar uma crise histórica.

Quase mil pessoas protestaram no sábado em Buenos Aires contra a quarentena obrigatória, em vigor desde 20 de março para frear a propagação do coronavírus.

A Argentina, país de 44 milhões de habitantes, anunciou no sábado o recorde de contágios em apenas um dia (795). O país tem um balanço de 16.201 casos positivos e 530 mortes.

No Equador, o governo anunciou que as ilhas Galápagos reabrirão ao turismo no dia 1 de julho.

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