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Estado de Minas

Espanha mostra desaceleração nas mortes diárias por coronavírus


postado em 30/03/2020 15:55

A Espanha mostrou uma ligeira queda no número de óbitos diários por coronavírus, com 812 novas mortes entre ontem e hoje, em comparação com o recorde de 838 registrado no saldo anterior - anunciou o Ministério da Saúde nesta segunda-feira (30).

Segundo país com o maior número de mortes provocadas pela COVID-19, depois da Itália, a Espanha alcançou um total de 7.340 mortos.

Em termos percentuais, a progressão de falecimentos confirma a desaceleração considerável nas últimas 24 horas, a 12,4%, contra os 27% registrados na quarta-feira.

O número global de infectados diagnosticados chegou a 85.195, um aumento de 8%, o que também implica uma queda considerável em termos percentuais desde a última quarta (quando aconteceu uma alta de 20% dos casos), relata o balanço do Ministério.

"A tendência está diminuindo com as medidas de isolamento", afirmou com otimismo María José Sierra, do centro de emergências de saúde.

Sierra substituiu Fernando Simón, diretor do centro de emergências de saúde, na coletiva de imprensa diária dos especialistas técnicos, depois que ele testou positivo para o coronavírus.

Rosto mais conhecido dos espanhóis nas informações diárias sobre o vírus, Simón destacou no fim de semana que a Espanha pode ter chegado ao pico de contágios. "A evolução parece que se estabilizou, parece que inclusive está começando a cair", disse.

De qualquer forma, a principal preocupação das autoridades espanholas é a saturação dos hospitais nas áreas mais afetadas, com uma equipe dizimada: mais de 12.000 profissionais de saúde foram infectados, afirmou Sierra.

A pior situação acontece em Madri, com quase um terço dos casos e metade das mortes, onde dois necrotérios e um hospital de campanha precisaram ser instalados em um enorme centro de convenções.

Outros quinze hospitales desse tipo estão sendo implantados no resto do país com ajuda do exército, informou a ministra da Defesa, Margarita Robles.

Mesmo com a desaceleração do aumento de casos, "a pressão nas unidades de terapia intensiva será significativa nas próximas semanas". Madri e Catalunha já estão "no limite de capacidade, ou prestes a alcançá-lo", alertou Sierra.

- "A situação está ruim" -

"A situação se complica a cada dia", declarou o diretor médico do Hospital Clínico de Barcelona, Antoni Castells, à rádio pública RNE, admitindo que "devemos começar a racionalizar os recursos com base nas possibilidades de sobrevivência dos pacientes".

Outras regiões do país também mostram tensão no sistema de saúde.

"O vírus já invadiu dois terços do hospital" de Ronda em Málaga (Andaluzia, sul), contou à AFP o enfermeiro Jesús María García. "A situação está ruim, principalmente pela falta de equipamentos", com a necessidade de, por exemplo, reciclar vestimentas.

A dificuldade de obter materiais de proteção de saúde e testes em um mercado mundial congestionado tem sido outro problema admitido pelo governo. A Espanha adquiriu 628 milhões de euros em equipamentos da China, que devem chegar gradualmente a partir desta segunda-feira.

Os 46,6 milhões de espanhóis permanecem em confinamento desde 14 de março e devem prosseguir assim até pelo menos 11 de abril.

Em Madri, o tráfego terrestre caiu 30% e o uso de transporte público suburbano teve queda de 40% em relação à segunda-feira anterior, celebrou o ministério dos Transportes.

O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez decidiu restringir ainda mais o confinamento a partir desta segunda-feira, com a suspensão de todas as atividades não essenciais por duas semanas, em sua luta por restringir os contágios do coronavírus SARS-Cov-2.

Uma medida bem recebida pelos sindicatos, mas não pelos empregadores, que já criticaram a decisão tomada pelo governo na semana passada de proibir as demissões durante a crise de saúde.

"Se o país está parado, haverá desemprego, isso é evidente", disse à RNE o presidente da principal organização empregadora CEOE, Antonio Garamendi, que acrescentou: "Também temos um problema econômico gravíssimo e o problema econômico pode levar a um problema social".

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